Elementais-como atuam-W.Q. Judge
Estudante – Existe alguma razão pela qual você não me dá uma explicação mais detalhada sobre a constituição dos elementais e os modos pelos quais eles trabalham?
Sábio – Sim. Há muitas razões. Entre outras, está a sua incapacidade, compartilhada pela maioria das pessoas da atualidade, de compreender uma descrição das coisas que pertencem a um mundo com o qual você não está familiarizado e para o qual ainda não possui termos de expressão. Se eu apresentasse essas descrições, a maior parte delas pareceria vaga e incompreensível, por um lado e, por outro, muitas delas o induziria ao erro devido à interpretação que você mesmos daria a elas. Outra razão é que, se a constituição, o campo de ação e o método de ação dos elementais fossem informados, haveria algumas mentes de uma inclinação muito inquiridora e peculiar que logo descobririam como entrar em comunicação com esses seres extraordinários, com resultados prejudiciais tanto para a comunidade como para os indivíduos.
Estudante – Por quê? Não é bom aumentar a soma dos conhecimentos humanos, mesmo no que diz respeito às partes mais recônditas da Natureza; ou será que os elementais são maus?
Sábio – É sábio aumentar o conhecimento das Leis da Natureza, mas sempre com as devidas limitações. Tudo se tornará conhecido algum dia. Nada poderá ser retido quando os homens chegarem ao ponto em que possam entender. Mas, no momento, não seria sábio dar-lhes, apenas porque pedem, um certo conhecimento que não seria bom para eles. Esse conhecimento está relacionado aos elementais e, por enquanto, deve ser mantido afastado dos cientistas de hoje. Enquanto puder se ocultado deles, o será, até que eles e seus seguidores sejam de outro cunho. Quanto ao caráter moral dos elementais, eles não têm nenhum; são incolores em si mesmos – exceto em algumas classes – e simplesmente assumem a tonalidade, por assim dizer, de quem os usa.
Estudante – Será, então, que algum dia nossos cientistas serão capazes de usar esses seres e, se sim, qual será a forma de fazê-lo? disso? Será que o seu uso será restrito apenas aos homens bons da Terra?
Sábio – Aproxima-se a hora em que tudo isso será feito. Mas os cientistas de hoje não são os homens que devem obter esse conhecimento. Eles são apenas precursores insignificantes que plantam sementes e investigam cegamente em becos sem saída.
Eles são muito pequenos demais para serem capazes de captar esses poderosos poderes, mas não são suficientemente sábios para ver que seus métodos acabarão levando à Magia Negra em séculos futuros, quando serão esquecidos.
Quando as forças elementares forem utilizadas de forma semelhante à que vemos agora com a eletricidade e outras energias naturais adaptadas a vários propósitos, haverá “guerra no céu”. Os homens bons não serão os únicos a possuir a capacidade de usá-las. Na verdade, o tipo de homem que vocês agora chamam de “bom” não será o mais capaz. Os maus, no entanto, pagarão generosamente pelo poder daqueles que podem exercer tais forças e, por fim, os Mestres Supremos, que agora guardam esse conhecimento das crianças, terão de aparecer. Então se seguirá uma guerra terrível, na qual, como já aconteceu, os Mestres serão bem sucedidos e os malfeitores serão destruídos pelos próprios mecanismos, principados e poderes prostituídos para seus próprios propósitos durante anos de intensa vida egoísta. Mas, por que se estender sobre isso? Atualmente, trata-se apenas de uma profecia.
Estudante – Poderia me dar algumas pistas sobre como os segredos do plano elemental são preservados e impedidos de serem conhecidos? Esses guardiões de quem você fala se ocupam em controlar os elementais, ou como? Eles vêem muito perigo de divulgação provável nos casos em que a ação elemental é evidente para o observador?
Sábio – Não é necessário perguntar se eles controlam ou não os elementais, porque, embora isso seja provável, não parece muito necessário quando os homens não suspeitam do agente causador desse fenômeno. É muito mais fácil lançar uma nuvem sobre a mente do investigador e levá-lo a outros resultados, muitas vezes com vantagens materiais para si mesmo e para os homens, ao mesmo tempo em que atua como um completo preventivo ou interruptor que direciona suas energias e empenho a departamentos diferentes. Isso pode ser ilustrado assim: suponhamos que um certo número de ocultistas treinados seja separado para observar as várias regiões do mundo em que as energias mentais estejam em intensa atividade. É bastante fácil para eles ver em um instante qualquer mente que esteja prestes a descobrir uma pista no mundo elemental; e, além disso, imagine que os próprios elementais treinados carregam constantemente informações sobre tais eventos. Então, por meio do conhecimento superior e do comando sobre esse mundo peculiar, influências que apresentam várias imagens são enviadas para essa mente inquisidora. Em um caso, pode ser uma nova reforma moral, em outro, uma grande invenção é revelada, e o efeito é tão grande que todo o tempo e a mente do homem são ocupados por essa novidade que ele ingenuamente acredita ser sua. Ou, novamente, seria fácil desviar seus pensamentos para uma certa rotina que o afastasse da pista perigosa. Na verdade, os métodos são infinitos.
Estudante – Seria sensato sábio colocar nas mãos de homens verdadeiramente bons e conscienciosos, que agora usam de forma correta os dons que têm, o conhecimento e o controle sobre os elementais, para que sejam usados do lado do bem?
Sábio – Os Mestres são os juízes de quais homens bons devem ter desse poder e controle. Não se esqueça de que não se pode ter total certeza do caráter daqueles a quem você chama de “homens verdadeiramente bons e conscienciosos”. Coloque-os no fogo da tremenda tentação que esse poder e controle proporcionariam, e a maioria deles fracassaria. Mas os Mestres já conhecem o caráter de todos os que, de alguma forma, se aproximam do conhecimento dessas forças e Eles sempre julguem se tal homem deve ser ajudado ou impedido. Eles não estão trabalhando para tornar essas leis e forças conhecidas, mas para instaurar a doutrina, o discurso e as ação corretos, de modo que o caráter e as motivações dos homens passem por mudanças tão radicais que os capacitem a exercer o poder no mundo elemental. E esse poder não está ocioso agora, como você infere, mas está sempre sendo usado por aqueles que nunca deixarão de usá-lo corretamente.
Estudante – Há alguma ilustração à disposição mostrando o que as pessoas de hoje fariam com essas energias extraordinárias?
Sábio – Uma rápida olhada nos homens desses mundos ocidentais empenhados na corrida louca atrás do dinheiro, muitos deles dispostos a fazer qualquer coisa para obtê-lo, e para a tensão, quase de guerra, existente entre trabalhadores e usuários da mão de obra, deve mostrar-lhe que, se qualquer uma das classes possuísse poder sobre o mundo elementar, eles o direcionariam para a continuação dos objetivos que estão agora diante deles. E então, observe o espiritualismo. Está registrado na Loja – fotografado, pode-se dizer, pelos próprios praticantes dos atos – que um enorme número de pessoas busca diariamente o auxílio dos médiuns e seus “fantasmas” apenas em assuntos de negócios. Seja para comprar ações, seja para se dedicar à mineração de ouro e prata, seja para participar de loterias ou para fazer novos contratos comerciais. Aqui, de um lado, temos a imagem de um grupinho de homens que obtiveram, por um valor baixo, algumas propriedades de mineração a conselho de espíritos elementais com nomes fictícios, mascarados atrás de médiuns; essas minas deveriam então ser colocadas à disposição do público com um alto lucro, na medida em que os “espíritos” prometiam o metal. Infelizmente para os investidores, falhou. Mas, em muitos casos, tal registro se repete.
Há também outro caso em que, em uma grande cidade americana – em que o Carma era favorável -, um certo homem especulou em ações com base em conselhos semelhantes, foi bem-sucedido e, depois de dar um pagamento generoso ao médium, aposentou-se para o que se chama gozo da vida. Nenhuma das partes dedicou, nem si mesmo, nem o dinheiro, ao benefício da humanidade.
Não há nenhuma questão de honra envolvida, nem se o dinheiro deve ou não ser ganho. Trata-se apenas de uma questão de decoro, conveniência e decorrências de se dar de repente nas mãos de uma comunidade despreparada e sem um objetivo altruísta, tal poder anômalo. Tome, por exemplo, um tesouro escondido. Há muitos destes em lugares escondidos, e muitos homens desejam pegá-los. Com que finalidade? Para atender às suas necessidades luxuosas e deixá-los para seus descendentes igualmente indignos. Se eles soubessem o mantra que controla os elementais que guardam esse tesouro escondido, eles usá-lo-iam imediatamente, com ou sem motivo, sendo, no caso, o único objetivo o dinheiro.
Estudante – Alguns tipos de elementais guardam tesouros escondidos?
Sábio – Sim, em todos os casos, quer nunca sejam encontrados ou encontrados logo. Os motivos para a ocultação e os pensamentos de quem esconde ou perde tem muito a ver com a ocultação permanente ou a subsequente descoberta.
Estudante – O que acontece quando uma grande soma de dinheiro, digamos, como o tesouro mítico do Capitão Kidd, é escondida ou quando uma quantidade de moedas é perdida?
Sábio – Os elementais se reúnem em torno dela. Eles têm muitas e curiosas maneiras de causar mais ocultação. Eles influenciam até mesmo animais para essa finalidade. Essa classe de elementais raramente, se é que alguma vez, se apresenta em suas sessões espiritualistas. À medida que o tempo passa, as forças do ar e da água os ajudam ainda mais e, às vezes, até conseguem impedir que o indivíduo que a esconde a recupere. Assim, com o passar dos anos, mesmo quando eles já podem ter perdido totalmente o controle sobre o objeto, tudo fica envolto em névoa e é impossível encontrar coisa alguma.
Estudante – Isso explica em parte porque tantos fracassos são registrados na busca de tesouros escondidos. Mas e quanto aos Mestres; Eles também são impedidos por esses estranhos guardiões?
Sábio – Eles não o são. As grandes quantidades de ouro escondidas na terra e no fundo do mar estão sempre à disposição deles. Eles podem, quando necessário para seus propósitos, obter tais somas de dinheiro sobre as quais nenhum ser vivo ou descendente de qualquer ser vivo tem o menor direito, o que horrorizaria os sentidos de seu maior amealhador de dinheiro. Eles só precisam comandar os próprios elementais que o controlam, e Eles o conseguem. Essa é a base da história da lâmpada maravilhosa de Aladdin, mais verdadeira do que você imagina.
Estudante – De que adianta então tentar, como os alquimistas, produzir ouro? Com a imensa quantidade de tesouros enterrados que são facilmente encontrados quando se controla seu guardião, parecer ser uma perda de tempo e dinheiro aprender a transmutação de metais.
Sábio – A transmutação de que falam os verdadeiros alquimistas era a alteração da liga básica na natureza do homem. Ao mesmo tempo, a transmutação real do chumbo em ouro é possível. E muitos seguidores dos alquimistas, bem como do Jacob Boehme, de Alma pura, procuraram avidamente realizar a transmutação do material, sendo levados pelo brilho da riqueza. Mas um Adepto não precisa de transmutação, como já lhe mostrei. As histórias contadas sobre vários homens que supostamente produziram ouro a partir de metais comuns para diferentes reis da Europa são explicações errôneas. Aqui e ali apareceram Adeptos, assumindo nomes diferentes, e em certas emergências eles forneceram ou usaram grandes somas de dinheiro. Mas, em vez de ser o produto da arte alquímica, era simplesmente um tesouro antigo trazido a Eles por elementais a serviço Deles e da Loja. Raymond Lully ou Robert Flood podem ter sido desse tipo, mas me abstenho de dizer, pois não posso afirmar que conheço esses homens.
Estudante – Agradeço-lhe por sua instrução.
Sábio – Que você alcance o patamar da iluminação!
Path, julho de 1888