Teosofia sobre a Via Láctea-Blavatskytheosophy
A ciência moderna nos diz que nosso próprio sistema solar (composto por nosso Sol, nossa Terra e os outros planetas mais conhecidos por nós) está localizado na borda de um dos braços espirais – o que foi chamado de Braço Orion – da Galáxia Via Láctea. Atualmente, os cientistas estimam que existam mais 100 bilhões a 400 bilhões de sistemas solares dentro da Via Láctea. Eles também dizem que existem milhões ou bilhões de outras galáxias, cada uma das quais pode conter um número similar de sistemas solares. A coletividade dessas muitas galáxias é o que constitui o Universo.
Também se afirma-se que a Via Láctea contém uma enorme massa de poeira e gás. “Poeira” e “gás” soam um pouco maçantes e pouco atraentes, mas o que eles realmente são neste caso, de acordo com os ensinamentos da Teosofia, é particularmente interessante.
No primeiro volume de sua principal obra, “A Doutrina Secreta“, H. P. Blavatsky traduz sete Stanzas sobre o assunto da Cosmogênese ou Evolução Cósmica de um texto esotérico antigo e ainda inacessível ao público, referido como “ O Livro Secreto de Dzyan” [em inglês]. A terceira dessas Stanzas é intitulada “O DESPERTAR DO KOSMOS” e, ao descrever o renascimento cíclico e a re-manifestação do Universo, diz em seu quarto Shloka ou verso:
“O OVO LUMINOSO, QUE EM SI MESMO É TRÊS, COAGULA E SE ESPALHA EM COALHOS COMO LEITE PELAS PROFUNDEZAS DA MÃE, A RAIZ QUE CRESCE NAS PROFUNDEZAS DO OCEANO DA VIDA”.
Ao comentar sobre isto, HPB escreve:
“A essência radiante coagulou e se espalhou pelas profundezas” do Espaço. De um ponto de vista astronômico, isso é fácil de explicar: é a “Via Láctea”, a matéria do mundo, ou matéria primordial em sua forma inicial. … A coalhada é a primeira diferenciação e provavelmente também se refere àquela matéria cósmica que supostamente é a origem da “Via Láctea” – a matéria que conhecemos. Essa “matéria”, que, segundo a revelação recebida dos Dhyani-Buddhas primordiais, é, durante o sono periódico do Universo, da mais alta tenuidade concebível aos olhos do Bodhisatva perfeito – essa matéria, original e fria, torna-se, ao primeiro despertar do movimento cósmico, dispersa pelo Espaço; aparecendo, quando vista da Terra, em aglomerados e grumos, como coágulos no leite ralo. Essas são as sementes dos mundos futuros, a “Matéria Estelar”. (“A Doutrina Secreta” Vol.1, págs. 67, 69)
Isto é aprofundado em “Transactions of the Blavatsky Lodge“, onde HPB informa a seus alunos sobre a Via Láctea que –
“Ela é o depósito dos materiais a partir dos quais as estrelas, os planetas e outros corpos celestes são produzidos. A matéria nesse estado não existe na Terra; mas a que já é diferenciada e é encontrada na Terra também é encontrada em outros planetas e vice-versa. Mas, como eu entendo, antes de chegar aos planetas a partir de sua condição na Via Láctea, a matéria precisa primeiro passar por muitas etapas de diferenciação”. (págs. 113-114)
“… todos os planetas de nosso sistema solar … começaram a vida como errantes sobre a face do Cosmos infinito. Eles se desprenderam do depósito comum de material já preparado, a Via Láctea (que não é nada mais nada menos do que a matéria-prima do mundo bastante desenvolvida, sendo todo o resto no espaço a matéria bruta, ainda invisível para nós); então, começando sua longa jornada, eles primeiramente se estabeleceram na vida onde as condições foram preparadas para eles por Fohat e, gradualmente, se tornaram sóis. Depois, quando seu Pralaya chegou, cada sol foi dispersado em milhões e milhões de fragmentos. Cada um desses fragmentos se moveu de um lado para o outro no espaço, coletando novos materiais à medida que prosseguia, como uma avalanche, até parar pelas leis de atração e de repulsão e se tornar um planeta em nosso próprio sistema, assim como em outros sistemas, para além de nossos telescópios. Os fragmentos do Sol se tornarão exatamente tais planetas depois do Pralaya solar”. (págs. 145-146)
Para resumir, o argumento que está sendo colocado é que pelo menos parte do que dá à Via Láctea sua aparência leitosa ou turva (para nós) é que ela contém dispersões de Matéria Primordial “em sua forma inicial”. Assim, ela é o depósito de matéria em um estado tão extremamente rarefeito e tão próximo de seu estado primordial original – o último dos quais é frequentemente chamado pelos teosofistas de Mulaprakriti ou substância-raiz pré-cósmica, a Matéria Eterna – a ponto de ser inconcebível para nós.
Em “The Secret Doctrine Dialogues“, uma pergunta é feita a HPB por William Kingsland, que indaga: “Então essa Via Láctea, como supõem os astrônomos, está tão longe dos limites do sistema solar, ou isso é apenas uma impressão? Os astrônomos supõem que a Via Láctea fica muito além da distância das estrelas fixas mais distantes que podemos ver; será que isso realmente é o caso ou é uma impressão enganosa”?
A resposta da HPB é que “é uma impressão enganosa; é muito enganosa, porque essa coisa que vemos, é apenas porque está a uma distância que a vemos, mas essa coisa existe de fato em todos os lugares, na atmosfera e em toda parte. Não é que exista uma coisa específica a tal e tal distância, a tantos quilômetros de distância; isso é um perfeito disparate, porque ela está em todos os lugares, embora só a vejamos a uma certa distância …. Isso é o que chamamos de “substância do mundo estruturada” que está pronta para uso, que foi diferenciada e rediferenciada, depurada e tudo tem sido feito a ela”. (“The Secret Doctrine Dialogues“, pág. 316)
Por analogia parcial, se você se imaginar flutuando até o teto da sala em que está agora e depois olhar para baixo, você poderá ver a sala inteira, como se estivesse à distância, mas, na realidade, você sempre esteve na sala, existindo dentro da sala, contido na atmosfera da sala e com a sala ao seu redor.
O termo “Sol Central”, “Sol Espiritual Central” ou “Grande Sol Central” é usado inúmeras vezes na literatura teosófica. Ele não se refere ao Sol que vemos no céu nem a qualquer corpo cósmico material. Informações sobre o que este termo, reconhecidamente um tanto vago, realmente significa são fornecidas em “A Doutrina Secreta” Vol. 2, pág. 240:
“Esse “Sol Central” dos ocultistas, que até a ciência é obrigada a aceitar astronomicamente, pois não pode negar a presença no Espaço Sideral de um corpo central na Via Láctea, um ponto invisível e misterioso, o centro de atração sempre oculto de nosso Sol e sistema – esse “Sol” é visto de forma diferente pelos ocultistas do Oriente. Enquanto os cabalistas ocidentais e judeus (e até mesmo alguns devotos astrônomos modernos) afirmam que nesse sol a Divindade está especialmente presente … os Iniciados orientais sustentam que, como a Essência supra divina do Absoluto Desconhecido está igualmente em todos as esferas e lugares, o “Sol Central” é simplesmente o centro da Eletricidade-Vida Universal; o reservatório dentro do qual essa irradiação divina, já diferenciada no início de cada criação, está focada. Embora ainda em uma condição Laya, ou neutra, ele é, no entanto, o Centro de Vida que atrai e também o que sempre emite”.
A última parte é tão importante a ponto de justificar a repetição:
“O “Sol Central” é simplesmente o centro da Eletricidade-Vida Universal; o reservatório dentro do qual essa irradiação divina, já diferenciada no início de cada criação, está focada. Embora ainda em condição Laya, ou neutra, ele é, no entanto, o Centro de Vida que atrai e também o que sempre emite“.
O leitor atento também terá notado a implicação feita por HPB de que existe uma conexão e relação vital entre o “Sol Espiritual Central” e a Via Láctea.
Mais especificamente, “um corpo central na Via Láctea, um ponto invisível e misterioso, o centro de atração sempre oculto” é o ponto de conexão com o igualmente ou ainda mais misterioso “foco” da RADIÂNCIA DIVINA.
E o que é esse “corpo central” ou “ponto” dentro da Via Láctea? A ciência nos diz que toda a Via Láctea “orbita em torno de uma espécie de centro chamado Centro Galáctico, com um buraco negro supermassivo chamado Sagitário A* (pronunciado “A-estrela”) em seu núcleo”. Se somente a ciência exotérica e a ciência esotérica pudessem trabalhar juntas, muitas descobertas e entendimentos complementares e notáveis poderiam ser alcançados.
Foi somente nos anos 60 que os astrônomos começaram a suspeitar que a Via Láctea é, na verdade, de formação espiral ou, como eles expressam, uma “galáxia espiral barrada”. Isto agora é de conhecimento comum.
A Stanza V, Shloka 4, no volume 1 de “A Doutrina Secreta“, publicada em 1888, diz que “FOHAT [i.e. a Essência da Eletricidade Cósmica] TRAÇA LINHAS ESPIRAS” e em “The Secret Doctrine Dialogues” encontramos a seguinte declaração de HPB:
“É uma lei que tudo avança em espiral, nunca em linhas retas” … Não há nada neste mundo que possa proceder de outra forma que não seja em espirais, ou em coisas assim, mas nunca em linha reta, nunca”. (pág. 358)
Isto pode ser parte da razão pela qual “A Doutrina Secreta” Vol. 2, pág. 356, diz que “figurativamente, a luz astral, a Via Láctea e também o caminho do Sol para os trópicos de Câncer e de Capricórnio, bem como os círculos do ano sideral ou tropical, sempre foram chamados de “Serpentes” na fraseologia alegórica e mística dos Adeptos”.
Isenção de responsabilidade
Tenha em mente que as explanações e exposições fornecidas pela redatora do site [www.blavatskytheosophy.com] não devem ser tomadas como uma autoridade infalível; elas meramente representam o melhor entendimento atual de uma estudante de Teosofia e podem estar sujeitas a alterações conforme mudam as compreensões e percepções da autora.