Trabalhar para a Teosofia – R. Crosbie
Uma compilação a partir das cartas de Robert Crosbie
É inútil aceitar revelações com base na opinião de qualquer pessoa. Elas não transmitem nenhum conhecimento, e é o conhecimento real que é necessário para cada um. Palavras de ordem e fórmulas são meras palavras, e não um critério para a verdade.
A Teosofia está no mundo para apresentar os meios pelos quais cada um pode adquirir conhecimento por si mesmo. Seu estudo e aplicação exigem o discernimento e a discriminação latentes no próprio homem.
A verdade não se encontra em um homem, nem em um livro ou uma declaração. A natureza da Verdade é universal; quem a possui, em qualquer grau, será considerado um praticante da universalidade no pensamento, na fala e na ação. Seus esforços serão em prol da humanidade, independentemente de sexo, credo, casta ou cor. Esses nunca serão encontrados entre aqueles que afirmam ser os porta-vozes escolhidos da Deidade – e que exigem homenagem de seus semelhantes: a verdadeira Fraternidade inclui tanto os menos desenvolvidos quanto os mais elevados. Devemos procurar ajudar a todos em busca da verdade. Nosso valor e ajuda nessa grande obra serão exatamente o que fizermos deles por meio de nossa motivação, nosso julgamento e nossa conduta.
O desejo sincero de que outras pessoas possam se beneficiar de nossa vida será sentido por aqueles que se abrirem – não importa se forem poucos; eles podem ser o meio de despertar muitos outros. São o esforço e o sacrifício que trazem os resultados finais, mas em nosso empenho, é bom considerar o que os Mestres fizeram e fazem ano após ano, era após era. Eles fazem o que podem, quando podem e como podem – de acordo com a lei cíclica. Eles preservam o conhecimento adquirido – e esperam. Sabendo disso e agindo assim, não pode haver espaço para dúvidas ou desânimo. A Teosofia é para aqueles que a desejam.
Devemos manter, esperar e trabalhar por aquelas poucas Almas sinceras que compreenderão o plano e promoverão a Causa. Muitos têm seus ouvidos tão entorpecidos, ou sua atenção tão desviada, que nenhum número de repetições pode alcançá-los – ainda assim, a Teosofia deve ser continuamente oferecida a todos os que quiserem ouvir. Esse é o nosso trabalho assumido por nós mesmos; temos nosso exemplo em H.P.B. e W.Q.J. – quanto a meios, métodos e maneiras: vamos imitá-los, e assim fazer o trabalho deles no mesmo espírito deles.
O “arco” teosófico foi lançado sobre o abismo dos credos e do materialismo. Alguns descobriram onde um alicerce repousa em um ou outro lado; outros encontraram “pedras” que pertencem ao arco, mas a “pedra angular” foi “rejeitada” por causa de sua forma irregular – exatamente como a história antiga da tradição maçônica. Mas também somos lembrados de que chegou o momento em que a pedra rejeitada se tornou “a pedra fundamental” porque se descobriu que era a pedra angular. O tempo todo havia aqueles que conheciam a pedra angular, mas eram muito poucos e suas vozes não eram ouvidas em meio ao clamor das reivindicações feitas por aqueles que haviam encontrado partes do arco e desejavam reconhecimento. Assim, aqueles poucos tiveram que “trabalhar, observar – e esperar”, sabendo que a história se repete e que não há nada de novo sob o Sol.
A alegoria da torre de Babel se aplica aos tempos atuais. Tudo está confuso, todo mundo falando suas próprias bobagens – e ninguém está ouvindo. Eu disse “ninguém” – mas alguns estão ouvindo; alguns percebem que nenhuma dessas coisas traz conhecimento. Tudo o que pode ser feito é deixar a luz brilhar de tal forma que todos os que quiserem possam buscá-la, semeando assim para uma colheita futura. Seria uma tarefa sem esperança se não fosse a reencarnação; portanto, o grande esforço deve ser o de promulgar os princípios fundamentais da Unidade, da Fraternidade, do Carma e da Reencarnação.
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No trabalho que empreendemos juntos, não importa se “nós” falharmos ou formos bem-sucedidos: Nosso propósito tem sido e será que a Obra continue. Podemos dar o melhor de nós – cada um de nós – nesse esforço; o restante está em outras mãos mais fortes. Nosso “melhor” pode não ser grande, mas se a motivação estiver presente, até mesmo manter nossa posição é uma vitória em algumas circunstâncias.
É, portanto, para os Ensinamentos que se deve chamar a atenção – não para nós mesmos que estamos apenas transmitindo-os da melhor forma possível. Se alguém perceber que, de muitas maneiras, não é capaz de fazer tudo o que precisa ser feito ou o que gostaria de realizar, isso é uma evidência de que ele está no caminho do aperfeiçoamento. Nossos ideais nunca são alcançados: eles nos precedem continuamente. Como um homem pensa, assim ele se torna. O tempo é um elemento nesse processo, e ele é encurtado quando fazemos pacientemente o que podemos. Ficar minimamente abatido por nossas imperfeições aparentes é uma forma de impaciência – um desrespeito à Lei. O que vier está certo – até que apareça algo melhor. Os defeitos percebidos desaparecerão pela observação, de modo que podemos alegremente ter paciência com nossos próprios defeitos, bem como os dos outros, enquanto continuamos trabalhando.
Uma das maiores ajudas que a Teosofia nos dá é o poder de fazer um exame mais amplo do campo de ação do que seria possível de outra forma: não olhamos apenas para esta vida, mas para muitas vidas futuras durante as quais “eu, você e todos os príncipes da Terra” viveremos e nos esforçaremos para a redenção universal da humanidade – sempre olhando para a frente, sempre enxergando outros patamares para os quais o Espírito desperto possa ser direcionado. Há muita força, há muitas habilidades entre os homens e, em sua maioria, são usadas sem um direcionamento de natureza permanente. Se a filosofia correta fosse implantada – até mesmo o único conceito da natureza divina no homem -, um impulso maior seria dado à vida correta; então, uma filosofia de acordo com essa natureza seria buscada por aqueles que fossem assim estimulados.
Não levaria tanto tempo, nem seria tão difícil, se aqueles que estão interessados em Teosofia parassem de descobrir por si mesmos e se ocupassem em divulgar a filosofia e a ideia de serviço. Sem a filosofia correta, a força e as habilidades aptidões especiais são inúteis. Se todos estudarem para serem mais capazes de ajudar e ensinar os outros, resultaria em um ganho e uma ajuda geral. Penso que a palavra “Teosofia” tem poder: “Se não tivesse, não haveria tantas pessoas fazendo mau uso do nome. Apesar de todas elas, a Teosofia em si está intacta. Nosso trabalho é mantê-la pura, tal como nos foi entregue, para o bem daqueles que podem ser ajudados – e estamos encontrando alguns o tempo todo. Em dias auspiciosos, poderemos fazer mais – e tanto melhor por causa das dificuldades atuais. A Teosofia pura e simples é o padrão pelo qual os esforços podem ser aplicados e os erros combatidos, portanto ela deve ser sempre mantida em evidência como a fonte de todo esforço correto. A perfeição na ação não é possível; portanto, ao mesmo tempo em que mostramos apenas o espírito do Movimento, ainda apresentamos uma base visível necessária em qualquer trabalho exotérico. “U.L.T.” é um nome dado a certos princípios e conceitos; aqueles que se associam a esses princípios e conceitos são atraídos e vinculados apenas por eles – não por seus companheiros que fazem o mesmo ou que se abstêm ou que deixam de se considerar vinculados. A Declaração, com sua assinatura pelos associados, é muito diferente de tudo o que existe como organização. (1)
Não estamos preocupados em “ver coisas”, mas em despertar a Consciência Superior – pois sabemos que a Teosofia fornece o conhecimento dos princípios que devem guiar seus estudantes em seu trabalho público e privado. Nós também devemos ser capazes de encontrar orientações explícitas – explícitas no sentido de que a Teosofia indica claramente o melhor caminho para servir nossos semelhantes. Portanto, é um bom trabalho procurar e disponibilizar a todos as citações necessárias de seus escritos que transmitem a intenção dos Mestres. Se não fosse possível encontrá-las, se poderia ter sérias dúvidas quanto ao curso a ser seguido. Se formos capazes de lançar uma luz mais clara sobre a intenção, nosso trabalho será bom tanto para os principiantes quanto para os versados.
A base do trabalho bem-sucedido é a União: esse é o clamor constante de H.P.B. e W.Q.J. Ser capaz de oferecer uma base para a União a indivíduos ou organizações, sem exigir qualquer renúncia de afiliação ou crença, não é pouca coisa. Parafraseando um ditado do Mestre, poderíamos dizer: “Toda a Teosofia está diante de você; pegue o que puder”.
O papel que desempenhamos, maior ou menor, não nos diz respeito de forma alguma. Nosso trabalho é chamar a atenção para a verdadeira base da união entre os teosofistas – e, ao mesmo tempo, dar o exemplo. As pessoas precisam, sejam estudantes novos ou antigos, compreender a mensagem da Teosofia por si mesmas – não por causa da crença em qualquer pessoa ou organização. Se os alunos conseguirem compreender e aplicar a filosofia, eles terão verdadeira clarividência com relação a homens, coisas e métodos, e sua gratidão incluirá tudo o que contribuiu para sua oportunidade; essa gratidão se expressará no fato de fazerem o mesmo pelos outros.
Assim, o esforço deve ser o de fazer com que os interessados participem, associem-se à Obra e compartilhem a responsabilidade – não por meio de proselitismo ou insistência, mas mantendo a ideia diante deles de várias maneiras. Como em qualquer outra coisa, todos os métodos devem ser experimentados, mas sem tornar a linha muito rígida e rápida. O trabalho principal é transmitir conceitos. Nosso propósito é chamar a
(1) “U.L.T.” é a abreviação de United Lodge of Theosophists (Loja Unida de Teosofistas), uma associação voluntária de estudantes de Teosofia.
atenção para os Professores e para o Ensinamento, e não para quaisquer outros aspectos; portanto, é conservação, a segurança e manter a impessoalidade da “U.L.T.”. Seu objetivo, escopo e propósito são mostrados na Declaração e, além disso, chama-se a atenção para o grande Movimento subjacente que obriga a tais alterações de tempos em tempos; assim, à medida que a política declarada for seguida e o Ensinamento for estudado, a ampliação prática virá por si mesma. Até que cada um esclareça suas próprias percepções, ninguém saberá distinguir o ouro de Ofir do metal comum. Deixe a “U.L.T.” florescer apenas por seu valor moral.
O trabalho que temos a fazer, o conhecimento que temos de compartilhar, não depende de outros nomes a não ser os dos verdadeiros Instrutores: H.P.B. e W.Q.J., e dos Mestres a quem eles serviram. Nada mais restaurará o Movimento. A Teosofia não emana de nenhuma sociedade nem de nenhuma pessoa viva. No que diz respeito ao mundo e a todos os teosofistas, a Teosofia vem de H.P.B. e W.Q.J., ou melhor, por meio deles. Portanto, para evitar concepções errôneas, voltemos à Mensagem e aos Mensageiros.
Nossos esforços podem parecer insuficientes, mas eles estão na direção certa, e “um pouco de fermento leveda toda a massa”. Faremos o que pudermos e tudo o que soubermos fazer, suportando os males do presente enquanto tentamos fazer o que funcionará para um bem maior no futuro, um pouco aqui e um pouco ali, conduzindo assim as mentes de teosofistas de todos os graus e em todas as sociedades a uma concepção tão ampla quanto possível da Filosofia. E todos esses esforços também serão educativos para nós, pois teremos que encontrar todos os tipos de mentes, desde a da ignorância até a da arrogância, e falar de modo a deixar uma impressão que perdure. Certa vez, H.P.B. escreveu: “Se alguém se apega à filosofia de Buda, que diga e faça o que Buda disse e fez; se um homem se diz cristão, que siga os mandamentos de Cristo – não as interpretações de seus muitos sacerdotes e seitas dissidentes“. A moral é: se alguém deseja ser teosofista, que estude a Teosofia como ela foi dada por aqueles que a enunciaram. Para aceitar como verdade o que qualquer professor escolhe lhe dizer, sem que lhe sejam dados quaisquer meios para verificar as afirmações feitas, ou sem verificar por si mesmo os fatos alegados, é simplesmente acreditar em fé cega, como fazem tantos outros.
Nossa própria tarefa difícil é evitar qualquer aspecto de autoridade de qualquer tipo, ao mesmo tempo em que temos certeza de nossa posição e sem medo de dizer isso. Temos de dar a cada um a oportunidade de ver por si mesmo que o que temos a dizer é bem fundamentado. O que temos de apresentar são os pontos mais importantes, claros e precisos, de modo que não possam ser ignorados pelo leitor, mas que sejam fatos verificáveis por qualquer pessoa que se interessar em fazê-lo. Assumimos uma missão elevada e uma tarefa pesada – não porque nós consideramos tão eminentemente aptos, mas porque vemos a necessidade.
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O mero comparecimento às reuniões não é suficiente para nos fazer sentir nossa identidade com o trabalho. A participação é apenas a preliminar de uma etapa posterior; isso se manifesta quando os participantes começam a perguntar como podem obter mais entendimento. À medida que participam, eles progridem, é claro – mas não se deve permitir que se esqueçam do objetivo da ajuda que lhes é oferecida, nem de que essa ajuda é apenas um meio e um caminho. O objetivo do estudo e do trabalho teosófico não é o desenvolvimento individual, mas que todos e cada um se tornem verdadeiros ajudantes da humanidade. Alguns vão captar esse sentimento.
A tendência de dizer mais do que é útil para os recém-chegados é comum no início, mas é gradualmente superada quando se percebe que isso minimiza a indagação. Não devemos forçar nada, enquanto respondemos a tudo. Não usaríamos a força se pudéssemos, porque cada mente precisa ser livre para escolher; caso contrário, não haveria progresso verdadeiro. E acho que essa é uma boa atitude a ser adotada em relação às perguntas relativas a afirmações e expoentes teosóficos. Esses vários aspectos devem ter seu lugar na grande economia da consciência – eles devem ter, ou as pessoas não seriam atraídas por eles, não os apreenderiam e os segurariam. Quando um “aspecto” específico não traz ao devoto o resultado esperado em conhecimento, então uma nova busca é indicada para a mente assim capturada. Toda pessoa realmente despertada por tais afirmações ou expoentes nos tocará mais cedo ou mais tarde, se mantivermos firmes.
Quanto menos palavras forem usadas para expressar um conceito, melhor. Nosso esforço é para disseminar entre os teosofistas o conceito de unidade, independentemente da organização. Que cada um siga seu próprio caminho, e com a melhor intenção, dando crédito aos outros pelo mesmo: dessa forma, não criamos obstáculos, independentemente do que os outros possam fazer. Nós simpatizamos com todos os esforços para difundir os ensinamentos da Teosofia pura e simples, sem expressar preferência por qualquer organização ou indivíduo assim empenhado – reconhecendo que, embora os métodos sejam diferentes, a Causa de um é a Causa de todos. Todos nós precisamos cultivar aquela caridade que simpatiza com todo esforço para difundir a Teosofia, mesmo que os métodos e outras coisas não nos agradem: qualquer esforço é melhor do que nenhum esforço.
Apontamos para a Mensagem, para os Mensageiros e para a enunciação da Obra por Eles. Deveria ser nossa política declarar em cada reunião quais são nossos propósitos – a saber, disseminar os princípios fundamentais da Teosofia e responder a perguntas sobre o assunto fornecido.
A Autoridade que reconhecemos não é a que os homens chamam de autoridade, que vem de fora e exige obediência, mas um reconhecimento interno do valor daquilo que flui através de qualquer ponto, foco ou indivíduo determinado. Essa é a autoridade do próprio auto- discernimento, da intuição, da mais alta intelecção. Se seguirmos o que reconhecemos dessa forma, e ainda assim o acharmos bom, naturalmente manteremos atenção nessa direção. Isso significa não seguir servilmente ninguém.
H.P.B. escreveu e se mostrou uma verdadeira Mestra, quando disse: “Não sigam a mim nem ao meu caminho; sigam o Caminho que eu mostro, e dos Mestres que estão por trás”. A sabedoria desse conselho é vista ao observar o curso daqueles que julgaram o ensinamento pelo que podiam ver da professora. Eles a julgaram por seus padrões, não por sua fidelidade à Teosofia que ela ensinava. Sempre enfatizamos que o máximo e o melhor que alguém pode fazer é fazer como Judge fez – seguir as diretrizes estabelecidas por H.P.B., independentemente de quaisquer outras. A força demonstrada por qualquer trabalhador não é a da personalidade, que não tem nenhuma, por si só; ela está nas palavras, nos conceitos, na convicção da verdade mantida pelo homem interno.
Estamos nos empenhando pela União em primeiro lugar e, na medida do possível, deixamos de lado os pontos que possam ser antagônicos. A Teosofia em si, pura e simples, é o grande “unificador”; quanto mais pudermos encorajar os outros a estudar e aplicar a Teosofia, mais eles verão por si mesmos os papéis desempenhados pelas várias pessoas e personagens do Movimento. Nosso trabalho é informar, não fazer proselitismo.
Quando forem feitas perguntas sobre pessoas do Movimento, e quando a ocasião assim o exigir, é preciso fazer declarações claras sobre os fatos, mas em defesa da Teosofia, e não em condenação de qualquer pessoa. Essa é a nossa chave para uma atitude correta em todos os casos apresentados pela história teosófica, já ocorridos ou em andamento. Pode parecer uma linha tênue – mas temos de encontrá-la e, ao apontar a verdade, seja na filosofia ou na história teosófica, evitar a condenação, mesmo quando nomes tiverem de ser mencionados. Quando outros cometeram erros e erraram, eles se tornaram uma expiação vicária para aqueles que poderiam ter feito a mesma coisa se não fosse pela lição aprendida com os erros dos outros.
É preciso conhecer a Verdade para poder detectar suas falsificações. Portanto, apontamos para a Mensagem e os Mensageiros como a Fonte na qual devem se basear todos os que desejam aprender o que é e o que não é Teosofia pura. O que todos precisam é de devoção inteligente à causa dos Mestres. São sempre as divagações pessoais que afastam os estudantes da Filosofia. Temos de seguir em frente, fazendo o que parece certo em circunstâncias sempre variadas, e é aí que entra a discriminação. Nunca se trata do que gostaríamos de fazer nesta ou naquela condição, mas do que deve ser feito. Temos muito a fazer para nos prepararmos para o que está por vir. Conseguiremos fazer isso? Podemos tentar.
Se as ideias básicas não forem assimiladas, nada poderá ser feito. Se não pudermos fazer mais do que manter essas ideias vivas no mundo e entre os teosofistas, devemos nos dar por satisfeitos; mas ainda não terminamos e, enquanto durar nossa vida, continuaremos fazendo tudo o que pudermos para dar aos outros uma base sólida, uma melhor compreensão do que significam os grandes Conceitos da Teosofia. Cada um de nós deve encontrar suas próprias expressões das mesmas grandes Verdades.
Esta é uma era de transição e nosso trabalho é rememorar os primeiros princípios, promulgá-los e sustentá-los da melhor forma possível, para que estejam prontos para aqueles que precisarem deles, inspirando-nos na Mensagem e nos Mensageiros.
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O que precisamos atentar no trabalho teosófico não são nossos erros – mas nossos erros evitáveis. É um erro permitir que cresça a impressão na mente de alguém de que ele é importante para a Teosofia. A Teosofia foi restaurada ao mundo para o bem daqueles que estão buscando luz, não para aqueles que estão satisfeitos com as coisas como elas são e com a vida como a encontram. Portanto, tentar atrair o interesse de pessoas específicas não vale o esforço despendido. O próprio esforço feito impede, ao despertar oposição ou noções errôneas. Deixar que o maior número possível de pessoas conheça sobre a Teosofia, mas não procurar ninguém em particular, é o caminho mais sábio.
O Carma de muitos é tal que não deixa nenhuma porta mental ou física aberta diretamente, mas até mesmo eles podem ser alcançados indiretamente por meio dos esforços de outros em afinidade com eles, que podem intervir e encontrar o meio. O que devemos fazer é transmitir a informação de que a oportunidade de compreender e aplicar a Teosofia chega em conformidade com o Carma para muito poucos, não porque ela seja negada a alguém, mas porque suas tendências predominantes não são de natureza a deixar a mente aberta à consideração de novas verdades, ou a capacitá-los a tirar proveito das formas e meios oferecidos. Isso se deve, em muitos casos, à negligência ou ao mau uso de oportunidades em vidas anteriores. Isso é especialmente verdadeiro nesta época em que grande parte da antiga Sabedoria está mais uma vez disponibilizado para todos os que quiserem. Todos têm essa chance, alguns mais favoravelmente do que outros. É o cúmulo da insensatez negligenciar essa oportunidade novamente, principalmente nos casos em que ela é conseguido por eles sem esforço. Em nossa vida diária, convivemos com as pessoas como elas são. Isso nos possibilita demonstrar simpatia humana por suas vidas, entender suas condições, sem nos envolvermos em nenhuma delas, ao mesmo tempo em que, de maneiras indefiníveis, proporcionamos a impressão do lado importante da vida e da necessidade de conhecimento real de seu significado.
É tanto sábio quanto necessário ter uma boa compreensão das formas e dos meios, dos processos para lidar com a mente dos outros, não apenas para que sejamos fazer ou façamos “o bem”, mas para que eles e nós possamos aprender as regras que regem a batalha da Alma, os deveres, individuais e coletivos, do Ego encarnado, o “guerreiro”. Nós somos o Carma, pois somos a causa de tudo o que fazemos. Nosso problema é que não percebemos a extensão das causas que colocamos em movimento, seja para o bem ou para o mal. Daí a necessidade de conhecermos nosso pedigree espiritual, intelectual e físico. Nossa hereditariedade é nossa, os efeitos atuais das causas desencadeadas por nós no passado distante.
Embora tudo o que possamos dizer seja apenas uma reafirmação, há uma luz diferente lançada às vezes por uma palavra ou diligência que será útil e proveitosa para alguns. As duas coisas que impedem a eficácia são nossa própria incapacidade em causar uma impressão tão boa quanto possível, e a incapacidade do ouvinte de entender o significado do que foi dito. A maioria das mentes não consegue enxergar além da pessoa, com suas falhas e limitações, além do doador, para a doação em si e tudo o que ela implica e, portanto, esperam demais da personalidade, pois ela não incorpora totalmente o que é transmitido.
Se nos mantivermos fiéis e firmes em relação a nosso objetivo, propósito e ensinamento, ofereceremos a ajuda e a orientação que estiver ao nosso alcance a todos os que nos consultarem, e todos os arranjos necessários se produzirão por si mesmos. Temos apenas que manter continuamente em mente e no coração as linhas originais estabelecidas por H.P.B. e W.Q.J., a saber: UNIÃO em primeiro lugar, como um foco para o crescimento espiritual e força mútua; ESTUDO, para que o se possa obter um conhecimento do Movimento, de seu propósito, de seus Mestres e de sua Mensagem; TRABALHO, sobre nós mesmos à luz desse estudo, e para os outros, em primeiro lugar, por último e o tempo todo.
Tudo o que cada um de nós pode oferecer é a Teosofia. Nós não a inventamos. Ela nos foi dada; nós nos colocamos em fila e a passamos adiante, como as pessoas costumavam fazer nos incêndios ao passar os baldes de água. As pessoas são gratas àquele que lhes passa a “água da vida”, mas o “que a passa” sabe a quem pertence a gratidão e diz: “não me agradeça; agradeça à Teosofia – como eu faço. Ela me capacita a ajudar os outros; ela irá capacitá-lo também”. Assim, ele os ajuda e ajuda a si mesmo a se livrar da ideia pessoal. A luta contra o “conceito de pessoal” é longa e intensa. É preciso precaver-se para que não tome para si aquilo a que não tem direito.
Os Mensageiros deixaram tudo o que é necessário – para nós e para os outros – em termos de direção; cabe a nós e a eles pôr em prática as coisas certas nos momentos certos e da maneira certa. Todos aqueles que considerarem a filosofia, a lógica e os fatos com base em seus méritos – todos aqueles que são ou que podem se tornar, de alguma forma, pessoas de mente aberta, farão alguma investigação, obterão uma visão melhor nesse nível, uma melhor apreciação da necessidade da Unidade em uma base filosófica. A Teosofia está envolvida, por meio daqueles que acreditam nela sem qualquer reserva mental de qualquer natureza, é numa batalha por reconhecimento. A Teosofia serve para explicar o lado oculto, o significado real e interno de todas as coisas, pois ela é amiga da compreensão, um auxílio ao conhecimento. Por meio dela, o homem pode vir a conhecer a si mesmo por completo. É por causa da incompreensão do verdadeiro Ser que temos todas essas religiões, seitas, partidos, dogmas, com todos os seus interesses e apoiadores. É o Carma da Raça que nos encontra, portanto, não gritaremos nem nos esquivaremos quando ele nos confrontar. O que, de outra forma, poderíamos pensar ser o pior, é o melhor que pode acontecer, se o enfrentarmos com a atitude correta, dissipando nosso Carma à medida que avançamos, tornando-nos instrumentos melhores.
É ao nos concentrarmos em nossa perfectibilidade inerente que nos livramos de nossas imperfeições. A última coisa a se duvidar é a perfectibilidade inerente de todos os homens. Aqui está uma declaração interessante de H.P.B:
“Todo Ego tem o Carma de Manvantaras passados atrás de si. O Ego começa com Consciência Divina – sem passado, sem futuro, sem separação. Ele demora muito para perceber que é ele mesmo. Somente depois de muitos nascimentos é que ele começa a discernir, por meio dessa coletividade de experiências que ele é individual. No final de seu ciclo de reencarnação, ele ainda é a mesma Consciência Divina, só que se tornou Autoconsciência individualizada.”
Sem esse senso de perfeição inerente, não haveria nada que valesse a pena viver: alguns anos de “prazer e dor”, e então tudo se foi – e o que foi ganho? Façamos o que quisermos, não podemos escapar da Vida, pois somos a Vida – o tempo todo; a maioria de nós percebe apenas uma parte de suas possibilidades. Em algum momento, aprenderemos o que Vida realmente significa. Estamos trabalhando para essa finalidade, tanto para os outros quanto para nós mesmos – principalmente agora para aqueles que “sabem ainda menos do que nós”, mas nós também estamos aprendendo o tempo todo. Não vale a pena tudo o que isso custa? Homens fazem sacrifícios maiores do que os que somos chamados a fazer, e por infinitamente menos – alguns anos de felicidade questionável e, depois, o esquecimento, até onde eles sabem ou podem ver. O fato de que possamos ver até mesmo um pouco do propósito da Vida é muito; senti-lo é ainda maior; percebê-lo é viver. É uma Escola da Vida, e tudo o que chega até nós a qualquer momento contém em si o que precisamos, quer pareça difícil, problemático ou agradável.
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Os teosofistas devem apontar os erros por meio da comparação com a Teosofia. Os métodos devem variar de acordo com o tempo, o lugar e as condições. Temos de aprender que a maneira de apresentar a verdade é examinando várias crenças à luz dela. As ideias que temos a apresentar implicam um senso pleno de liberdade por parte de quem ouve, bem como por parte de quem fala. Nestes dias de proselitismo e propaganda de todos os tipos de ‘ismos’, a necessidade de tolerância é ainda maior se quisermos encontrar as brechas na mente dos outros, por meio das quais as perguntas possam ser levantadas. Podemos dar o exemplo de examinar qualquer coisa por seus méritos e, em seguida, apresentar em contraste a visão teosófica, que está de acordo com a Natureza como um todo. A maneira de conhecer a verdade é voltar ao que os próprios Mestres deram, tanto em filosofia quanto em trabalho correto. Os Mestres nunca param de trabalhar, e é sempre possível que até mesmo o mais humilde teosofista, que seja lúcido e ame a humanidade possa ajudá-los em Seu esforço. Precisamos chamar repetidamente a atenção de todos os teosofistas desanimados ou desnorteados para o que H.P.B. escreveu a Judge em 1888:
“Anteontem à noite, foi-me mostrada uma visão panorâmica das Sociedades Teosóficas. Vi alguns poucos teosofistas sérios e confiáveis em uma luta de morte com o mundo em geral e com outros teosofistas -nominais, mas ambiciosos. Os primeiros são mais numerosos do que você pode pensar, e eles prevaleceram, assim como vocês, na América, prevalecerão, se apenas permanecerem fiéis ao plano do Mestre e a si mesmos.”
E mais:
“Pois é somente quando o Núcleo é formado que podem começar as acumulações que terminarão nos anos futuros, por mais distantes que estejam, na formação do corpo que temos em vista.” Não creio que eles usaram palavras sem propósito; cabe a nós e a todos os outros que queiram servi-Los, aplicar, aplicar, aplicar Seus ensinamentos. Não há limite de tempo para o esforço”.
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Somente o estudo e a preparação por parte dos iniciantes os tornarão eficientes como propagandistas. Ao tentar ajudá-los, é essencial encorajar sua iniciativa própria tanto quanto possível, sugerindo e ajustando quando e onde for necessário.
Seja no começo, no meio e no fim, devemos nos ater às Três Proposições Fundamentais de “A Doutrina Secreta” em todo o nosso trabalho – pois é sobre elas que toda a filosofia se fundamenta e, a menos que estejamos bem baseados nelas, nenhum progresso real pode ser alcançado. A primeira coisa a deixar claro em toda exposição de Teosofia é a impossibilidade da concepção comum de um Deus pessoal ou separado, e a importância de perceber o SELF como o todo, em tudo. Em seguida, a Lei da Periodicidade, Ciclos ou Carma, em todas as suas aplicações como “os eternos modos do mundo”. Isso mostra a reencarnação por analogia, como também as sucessivas reencarnações de sistemas solares, planetas e toda forma de matéria. Isso leva naturalmente à consideração da “Superalma Universal”, a inteligência coletiva em qualquer sistema solar, bem como em todos eles – pois todos estão conectados, “até o mais ínfimo átomo concebível”, e o que afeta um afeta todos – egos pequenos e grandes, bem como os embrionários. Isso significa Unidade em todos os aspectos, interação entre todos, responsabilidade individual.
Em cada reunião de estudo, será bom declarar qual é o objetivo da reunião; fazer com que os voluntários expressam com suas próprias palavras seu entendimento das Três Proposições Fundamentais. As perguntas devem ser livremente estimuladas e feitas, com o objetivo de que os alunos, mesmo os iniciantes, as formulem por si mesmos. Somente assim eles poderão melhorar seu entendimento e se colocar na posição em que possam melhor ajudar os outros, da mesma forma que foram ajudados. Na aula do livro “O Oceano da Teosofia”, os Três Princípios Fundamentais são o pano de fundo de toda a obra. Capítulo por capítulo, em perguntas e respostas, as aplicações podem ser destacadas e a consistência de toda a filosofia esclarecida. Os estudantes individuais que desejam aprender devem fazer e responder perguntas em termos da própria filosofia. Será difícil fazer com que muitos vejam a importância dessa reiteração contínua, mas ela é essencial para todo progresso verdadeiro.
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A maneira correta de ver as coisas é mostrada na Teosofia. Cada um tem de aprender, conhecer e controlar sua própria natureza, se quiser adquirir discriminação – a capacidade de ajudar os outros. Cada um deve adotar a filosofia e aplicá-la, diante de todos os erros e atos que, embora tornem a tarefa mais difícil, têm sido o meio de despertar a discriminação necessária. Nossos erros podem ser bem aproveitados. Teremos tempo para pensar no que vamos dizer e como diremos. As pessoas superam a inconstância e a indecisão quando dedicam tempo para refletir bem sobre coisas antes de agir ou fazer promessas. Em seguida, ele estudará para fazer tudo o que diz que fará. Esse cuidado aumentará a verdadeira autoconfiança e a confiança que os outros depositarão nele. Somente quando a confiança total é conquistada é que os homens podem ser ajudados em si mesmos e uns com os outros.
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A mente ocidental tende a considerar a mera forma literária e as frases bonitas como padrão de julgamento. As pessoas em geral não entendem o significado do que está escrito, da mesma forma que não extraem o valor de suas experiências. Elas fazem apenas deduções e aplicações superficiais. Portanto, elas têm pouca capacidade de aplicar a filosofia à vida cotidiana, nem conseguem ver seu valor prático. É preciso ajudá-las a assimilar os princípios fundamentais para que possam realizar avaliações e aplicações corretas. Cada um deve erradicar suas próprias falhas nessas e em outras esferas – não as falhas dos outros. Até que os estudantes comecem a trabalhar seriamente nessas linhas, não poderão encontrar segurança nem felicidade. A Teosofia e sua aplicação andam juntas, se quisermos que haja um progresso real. Não cabe a nós dizer: “Faça isso” ou “Não faça aquilo”. Cabe a nós apresentar a questão, a Teosofia e sua aplicação individual, e deixar que cada estudante, cada pesquisador, tome suas próprias decisões. As pessoas se metem em situações difíceis ao seguirem “conselhos”, em vez de exercerem seu próprio discernimento, e depois invariavelmente culpam o “conselheiro” quando as coisas não saem de acordo com suas expectativas.
“Entre milhares de mortais, um único talvez se esforce para alcançar a perfeição.” Portanto, entre os muitos que podem se interessar pela Teosofia – a filosofia da perfectibilidade do homem – aqui e ali haverá alguém que poderá acordar. É aí que reside a esperança. E mesmo aqueles que estão interessados em apenas ouvir ou ler com atenção, obterão algo em termos de uma tendência que pode se desenvolver algum dia. Se continuarmos tentando de todas as formas e meios adequados que temos à nossa disposição, algo resultará desses esforços mútuos.
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As declarações fundamentais dos Mestres são axiomas a serem postas em prática. Ao mesmo tempo, elas são entrelaçadas com um raciocínio tal que pode afetar a maneira comum de pensar. A ciência, a psicologia e todos os esforços que se baseiam nelas fracassam – e por nenhuma outra razão além do fato de não assumirem ou admitirem a existência de um conhecimento pleno e verdadeiro. Se a ciência e a psicologia ocidentais continuassem com seus esforços meticulosos à luz da Teosofia, as trevas espirituais e intelectuais do mundo logo seriam superadas e uma civilização seria criada para expressar da melhor maneira possível uma verdadeira vida física. O que está impedindo? O orgulho intelectual, juntamente com os efeitos limitadores das falsas concepções religiosas. Se for mantido o conceito de que há apenas uma vida na Terra, então todo o aprendizado do homem e da época se limita a uma faixa pequena e estreita. Mas se a pessoa apreender o conceito de vidas sucessivas na Terra – todas sob o Carma – então, o aprendizado assume uma dimensão mais ampla, levando o homem à concepção de que todos os poderes de todo tipo procedem do Supremo, o Ser de todas as criaturas; que ele próprio é, na realidade, um ser espiritual e deve pensar e agir como tal.
Talvez não consigamos aplicar, tão plenamente quanto nós e os outros desejamos, todos os axiomas e raciocínios da filosofia; mas e daí? Podemos aplicar o que é possível e tudo o que é possível para nós, e nessa aplicação surgem maior compreensão e facilidade. Cada um deve encontrar seu caminho. As palavras não podem dar esse caminho, mas há um caminho para cada um. A maior parte do problema está em tentar ver, tentar ouvir, tentar “pensar” em tudo, em vez de aplicar o que vemos. Toda a capacidade vem muito gradualmente, imperceptivelmente – sentida, compreendida, realizada, em vez de percebida no sentido comum … Não há familiaridade suficiente com a filosofia em si, para que muitos alunos tenham confiança suficiente para assumir o controle e levar o trabalho adiante. Eles deveriam ter aprendido que ninguém é Teosofia e que os melhores são apenas transmissores; que eles também, tendo recebido, deveriam se ocupar em fazer o mesmo pelos outros, tornando-se transmissores por sua vez.
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Estamos lidando com mentes, não com pessoas. A Alma, estando em conformidade com a mente, reage sobre toda a natureza. Se todos nós, como pessoas, pudéssemos olhar para o mundo das ideias dessa maneira, aprenderíamos mais, teríamos mais discernimento e seríamos mais úteis aos outros, merecendo assim Sua influência orientadora. É Carma, tudo isso; os alunos devem perceber isso e se beneficiar do conhecimento. O começo correto é tudo. Se isso for conquistado e mantido, então tudo o que cada um fizer levará a si mesmo e aos outros na direção correta. Ou a Teosofia pura e imaculada é a coisa mais real do mundo, ou estamos todos desperdiçando nosso tempo e esforço. Se formos capazes de conceber sua realidade com toda a seriedade, nunca devemos deixar de tentar compreender e aplicar o que foi registrado pelo Mensageiro dos Mestres para nossa orientação e instrução. Qual é a diferença entre a Teosofia e qualquer outra coisa? Os Princípios Fundamentais, eu diria. Nada mais oferece uma visão abrangente da existência. Todos os tipos de esforços sinceros ajudam, todos os tipos de sistemas contêm alguma verdade, mas todos eles ficam aquém, porque todos excluem ou ignoram alguma parte da Natureza. Os teosofistas de todos os graus devem perceber que, sob o Carma, muito é exigido daqueles a quem muito foi dado em termos de oportunidade e conhecimento. Só podemos usar nossas oportunidades e conhecimentos da melhor forma possível e continuar a fazê-lo, se não deixássemos de cumprir o requisito “a Lei das Leis – Compaixão absoluta”. O que foi feito tem sido uma vantagem real e duradoura para muitos; há outros que ainda não nasceram, que ainda estão por vir. Este é o momento em que se deseja ser como Brahma, com “olhos, cabeças, bocas e ouvidos em todas as direções”. Leia “The Tidal Wave” em Lucifer (Vol. V, página 173) se você quiser saber como H.P.B. se sentia – e se sente. O verdadeiro ponto da questão é a natureza divina no homem. A verdadeira base do trabalho é imprimir isso na mente daqueles que virão.
Na Teosofia, temos essa base. O mundo precisa desesperadamente de uma filosofia correta. Sem ela, a força e as faculdades especiais são inúteis porque são mal aplicadas. A Teosofia não é apenas palavras. Ela é Vida, e isso inclui todas as coisas da vida e todos os planos de vida. Para haver fraternidade entre os muitos, é necessário primeiro realizar a fraternidade entre os poucos, e a base da fraternidade é a divindade inerente a todos os homens.
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Todas as impressões verdadeiras vêm de dentro – do princípio mais elevado em nós, Atma, ou a Divindade que é uma e a mesma em todos. Se não houver nada no cérebro além de impressões dos princípios inferiores de nosso ser, nada que conecte o Pensador com planos mais elevados, ele só poderá oscilar entre esses estados inferiores. Se o pensamento quiser se elevar ainda mais, ele deve ser pensamento sem um cérebro. A Natureza funciona por meio de processos ordenados aos quais damos o nome de lei. No indivíduo, ela é chamada de Vontade. Por meio de um ato de Vontade, todos os processos mentais comuns podem ser interrompidos; depois o centro habitual da ação mental pode ser transcendido e a ascensão para o próximo plano pode ser feita, sem perder o poder de perceber nesse plano. Em todas essas tentativas, devemos manter os Princípios Fundamentais em vista – em mente. O Espírito no homem, o Percebedor, é “intocado por problemas, obras, frutos de obras ou desejos”. Parece-me que a compreensão mais clara, se não o entendimento, de tudo isso vem da ideia do Percebedor olhando para um ou outro de seus “invólucros” para encontrar ali o registro das ações em algum ou em todos eles.
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Tudo depende do que a pessoa tem em mente – suas concepções fundamentais de Deidade, da Natureza e do Homem – ao considerar ou tentar praticar a “concentração”. A ideia geral sobre isso, assim como sobre outros assuntos e objetos, é puramente pessoal. Não há autoexame dos motivos, nem altruísmo, nem esforço para realizar na vida diária o objetivo assumido de se adequar para ser mais capaz de ajudar e ensinar os outros, nenhuma observação dos efeitos maléficos de se apressar em buscar o “desenvolvimento psíquico”. H.P.B. diz: “A pessoa tem que ter uma fé inabalável na Deidade interior, uma crença ilimitada em seu próprio poder de aprender; caso contrário, ela está fadada a cair na ilusão e na mediunidade irresponsável”. Aqui está o sinal de advertência contra todas as tentativas de desenvolvimento psíquico antes que se tenha aprendido a dominar e guiar o self inferior pessoal. O que é indispensável é a filosofia correta e sua aplicação na vida cotidiana. Por causa da atitude errada nesse e em outros aspectos, muitos teosofistas bem-intencionados fracassam e prejudicam a si mesmos e a outros. O significado é claro. Deixe o psiquismo de lado; trabalhe a partir do lado espiritual sobre a natureza inferior – visível e invisível, psíquica e física – primeiro por meio da análise e compreensão dos princípios de nosso ser, conforme ensina a Teosofia, e depois pela orientação do conhecimento que surge dentro de nós mesmos. Passamos de um plano para outro plano diariamente, mas relacionamos tudo ao círculo cerebral por necessidade e, assim, perdemos os significados reais. Refletir sobre Princípios Fundamentais e o empenho em ajudar os outros é a verdadeira concentração. O Sr. Judge escreveu: “Assim, a Vontade se liberta do domínio do desejo e, por fim, subjuga a própria mente.”
Se a Teosofia for considerada uma espécie de abstração, ou um simples ponto de partida do qual um sistema deve ser desenvolvido pela pesquisa individual, toda a ideia dos Mestres como guardiões da sabedoria acumulada das eras e de Sua Mensagem para o mundo dos homens, tem de ser abandonada. Todo estudante digno desse nome sabe que H. P. Blavatsky deu um corpo de conhecimento ao mundo; que Ela chamou de “Teosofia” o que ela entregou e que Ela declarou explicitamente que era dos Mestres de Sabedoria.
Para fazer justiça à Mensagem, à Mensageira que a trouxe e ao ideal dos Mestres, nada deveria ser chamado de Teosofia a não ser esta Mensagem. Quem quer que assuma qualquer outra posição viola as primeiras leis do ocultismo ao menosprezar tanto a Mensagem quanto a Mensageira, e não pode esperar se beneficiar delas.
Aqueles que aceitam a Mensagem e menosprezam a Mensageira são igualmente deploráveis, pois ao menosprezar um, menosprezam ambos. A esses deve ser dito que é tolice imaginar que os Mestres de Sabedoria não sabiam o suficiente para selecionar um Mensageiro que entregaria Sua Mensagem corretamente e em sua totalidade. Se a sabedoria dos Mestres for questionada, todo o edifício cai por terra.
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Há apenas um caminho seguro. A Teosofia deve ser entendida como uma dádiva à humanidade por Seres mais avançados do que nós. Devemos aprender e pôr em prática os Princípios Fundamentais que sustentam essa grande filosofia e compreender o funcionamento da Lei conforme revelado nela. Então, e somente então, poderemos começar a fazer da Teosofia um poder vivo em nossas vidas. Devemos manter a disposição para dar e receber instruções, mas em ambos os casos devemos ter certeza de que tais instruções estão exatamente de acordo com os princípios e leis estabelecidos na filosofia teosófica.
Se cada estudante fizesse isso, todos teriam um objetivo, um propósito, um ensinamento e uma base segura para o esforço conjunto. As diferenças de opinião individual que pudessem surgir seriam resolvidas por meio de um ajuste cuidadoso delas à filosofia. Dessa forma, todos estariam unidos; todos preservariam a máxima liberdade de pensamento; todos progrediriam mais rapidamente por meio de esforços autoinduzidos e autodesenvolvidos. Ninguém, então, cometeria o erro fatal de imaginar que a Teosofia é algo que pode ser desenvolvido, mas cada um dedicaria seu pensamento e esforço para crescer ao longo das linhas que a Teosofia indica, de modo que cada um possa se tornar mais capaz de ajudar e ensinar os outros.
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Se existe um conhecimento como a Religião-Sabedoria, ele é o resultado da observação e da experiência dos Mestres da Sabedoria e, como tal, se sustenta por si só; não pode ser ampliado nem melhorado por seus estudantes. Além disso, o que foi chamado de “Teosofia” por Mme. Blavatsky é essa mesma Religião-Sabedoria na medida em que esta última foi promulgada pelo Mestre. Com relação a esta última afirmação, a própria H.P.B. escreveu:
“A Doutrina Secreta (ou Religião-Sabedoria) não é uma série de teorias ou tratados vagos, mas é tudo o que pode ser divulgado neste século. Serão necessários muitos séculos antes que muito mais seja revelado”.
Uma declaração semelhante de W. Q. Judge diz o seguinte:
“Ela (a Teosofia) não é uma crença ou dogma formulado ou inventado pelo homem, mas é um conhecimento das leis que governam a evolução dos constituintes físicos, astrais, psíquicos e intelectuais da Natureza e do homem.”
A Teosofia não é uma religião, mas a própria Religião no sentido mais verdadeiro; até mesmo o uso do termo “religião” sem qualquer qualificação é enganoso, pois a Teosofia não é “uma crença”, como geralmente são as religiões, mas sim Ciência Religiosa, Religião Científica e uma filosofia integral.
(1) “U.L.T.” é a abreviação de United Lodge of Theosophists (Loja Unida de Teosofistas), uma associação voluntária de estudantes de Teosofia.
ROBERT CROSBIE
“Theosophy”, novembro-dezembro de 1940; janeiro-fevereiro de 1941 [Publicado postumamente]