Do Estudo da Teosofia-W.Q.Judge
Frequentemente se pergunta: Como eu ou meu amigo devemos estudar Teosofia?
Ao iniciar este estudo, uma série de “não faça isso” deve primeiramente chamar a atenção do estudante. Não imagine que você sabe tudo, ou que qualquer homem nos círculos científicos tenha proferido a última palavra sobre qualquer assunto; não suponha que o dia de hoje é o melhor, ou que os antigos eram supersticiosos, sem conhecimento das leis naturais. Não se esqueça de que as artes, as ciências e a metafísica não surgiram com a civilização europeia; e não se esqueça de que as influências de Sócrates, Platão e Aristóteles da Grécia antiga ainda se impõem à mente moderna. Não pense que nossos astrônomos teriam feito qualquer coisa além de uma confusão com o zodíaco se os antigos caldeus não tivessem nos deixado esse que usamos. Não se esqueça de que é fácil provar que a civilização do mais elevado grau tem percorrido periodicamente este globo e deixado vestígios grandes e pequenos para trás. Não confunda Budismo com Bramanismo, ou imagine que os hindus são budistas; e não aceite a palavra de estudiosos de sânscrito ingleses ou alemães ao explicarem os textos e as escrituras das nações orientais, cujos pensamentos são tão distantes em sua forma aos nossos quanto são os nossos países. É preciso primeiro estar preparado para examinar com uma mente clara e imparcial.
Mas suponhamos que o inquiridor esteja disposto, desde o início, a aceitar a palavra dos escritores teosóficos, então a prudência é igualmente necessária, porque a literatura teosófica não tem o carimbo da autoridade. Todos nós devemos ser capazes de dar um motivo para a esperança que temos dentro de nós, e não podemos fazer isso se tivermos engolido sem estudar as palavras dos outros.
Mas o que é estudo? Não é a mera leitura de livros, mas sim uma reflexão longa, séria e cuidadosa sobre aquilo que temos absorvido. Se um estudante aceita a reencarnação e o Carma como doutrinas verdadeiras, a tarefa está apenas começando. Muitos teosofistas aceitam doutrinas com esse nome, mas não são capazes de dizer o que aceitaram. Eles não param para descobrir o que reencarna, ou como, quando ou por que o Carma tem seus efeitos, e muitas vezes não sabem o que a palavra significa. Alguns, a princípio, pensam que, quando morrerem, reencarnarão, sem refletir que é ao eu pessoal inferior que se referem, que não pode nascer de novo em um corpo. Outros pensam que Carma é – bem, Carma…, sem uma ideia clara dos tipos de Carma, ou se é ou não punição ou recompensa ou ambos. Por isso, é absolutamente necessário um aprendizado cuidadoso, de um ou dois livros, acerca da explicação das doutrinas e, depois, um estudo mais minucioso sobre elas, é absolutamente necessário. Há muito pouco desse estudo correto entre os teosofistas, e muita leitura de livros novos. Nenhum estudante pode dizer se o Sr. Sinnett em “Esoteric Buddhism” escreve razoavelmente, a menos que seu livro seja aprendido e não meramente folheado. Embora seu estilo seja claro, o assunto tratado é difícil, necessitando de um alojamento firme na mente, seguido de uma cuidadosa reflexão. Um uso adequado de seu livro, de “A Doutrina Secreta”, de “A Chave para a Teosofia”, e de todos os outros conteúdos escritos sobre a constituição do homem, leva a um conhecimento das doutrinas quanto ao ser em questão, e somente quando esse conhecimento é obtido é que se está apto a entender o restante.
Outro ramo de estudo é aquele perseguido pelos devotos naturais, aqueles que desejam participar do trabalho em si para o bem da humanidade. Esses devem estudar todos os ramos da literatura teosófica com mais afinco, a fim de serem capazes de explicá-la claramente aos outros, porque alguém que argumenta mal fraco ou um crente aparentemente crédulo não tem muito valor para os outros.
Os teosofistas ocidentais precisam de paciência, determinação, discernimento e memória, se eles pretendem alguma vez captar e manter a atenção do mundo para as doutrinas que difundem.
WILLIAM BREHON
Path, janeiro de 1890