Chakras-os Centros no Corpo Astral-Blavatskytheosophy
A Teosofia não coloca grande ênfase nos “chakras” e, na verdade, eles são geralmente referidos na literatura teosófica original como “centros” ou “nervos”, “centros nervosos”, “plexos nervosos”, etc., em vez de pelo nome em sânscrito, que não se tornou popular no mundo da língua inglesa até a primeira metade do século XX.
A maioria das relativamente poucas coisas escritas sobre este assunto por H. P. Blavatsky e seu colega William Q. Judge estão compiladas abaixo e lê-las tornará imediatamente evidente que a abordagem teosófica dos chakras é principalmente para afirmar e confirmar o fato de sua existência e isso é tudo; não há recomendação para meditar sobre os chakras ou tentar “abri-los” ou vê-los como algo muito importante para nosso progresso espiritual … como será visto, se recomenda exatamente o oposto.
Uma forte ênfase nos chakras e sua suposta importância é encontrada no Hatha Yoga e nas práticas tântricas indianas e tibetanas, mas estas não são tidas em alta consideração por HPB, WQJ e os Mestres de Sabedoria.
A obsessão moderna nos chakras no Movimento da Nova Era aqui no Ocidente pode ser rastreada até “A Sociedade Teosófica – Adyar”, particularmente até C. W. Leadbeater, que nas primeiras décadas do século XIX escreveu extensivamente sobre esse assunto e ajudou a popularizar o conceito. Entretanto, Leadbeater e seus colaboradores e apoiadores já haviam abandonado a Teosofia de Blavatsky em favor de uma nova e muito alterada versão de “Teosofia”, o que é uma das razões (outras podem ser encontradas em “O Caso contra C. W. Leadbeater” [em inglês]) porque a maioria das publicações da Sociedade de Adyar são rejeitadas por muitos teosofistas, inclusive por nós mesmos.
Sabe-se que H. P. Blavatsky reconheceu que o desenvolvimento oculto prático – no sentido do Caminho Secreto de Raja Yoga, a longa e árdua autotransformação em um Bodhisattva, um Mestre da Sabedoria e Compaixão – realmente envolve alguma atenção, e atividade, aos chakras; mais importante, certos chakras cuja localização no corpo e própria existência é aparentemente desconhecida por qualquer outro sistema além da Escola Esotérica dos Mestres. No entanto, ela não ensinou tais coisas ao público em geral ou escreveu sobre elas em seus livros. Elas eram apenas para membros de sua Escola Esotérica, que se comprometeram a manter o sigilo. Os ensinamentos públicos teosóficos, dos quais citamos abaixo, raramente mencionam chakras, pois isso não é o que o público em geral ou mesmo o teosofista “mediano” mais precisa ou pode beneficiar-se. Os Mestres e seus Mensageiros sempre enfatizam que o que é crucialmente necessário é a filosofia correta, lado a lado com a ética correta.
Então, aqui está a compilação; por favor, esteja ciente de que, nestas passagens, os termos “corpo astral”, “corpo etéreo”, “corpo interno”, “corpo sutil”, etc. são todos utilizados como sinônimos e referem-se ao princípio Linga Sharira na constituição humana. Negrito e sublinhado foram adicionados para enfatizar.
“O corpo astral … possui um sistema completo de nervos e artérias próprios para o transporte do fluido astral, que é para esse corpo como nosso sangue é para o físico”. (William Q. Judge, “O Oceano da Teosofia“, pág. 42)
“A estrutura anatômica interna também deve ser conhecida. O corpo etéreo tem suas próprias correntes – nervos, por falta de uma palavra melhor, mudanças e método de crescimento e ação, assim como o corpo denso. É, de fato, o corpo verdadeiro, pois raramente altera-se ao longo da vida, enquanto a contraparte física muda a cada momento, seus átomos indo e vindo sobre a matriz ou modelo fornecido pelo corpo etéreo.
“As correntes internas emanam de seus próprios centros e estão constantemente em movimento. Eles são afetados pelos pensamentos e pelo reflexo do corpo em suas mudanças fisiológicas”. Eles agem incessantemente um sobre o outro. (Cada centro do corpo interior tem seu correspondente apropriado no corpo físico, que ele afeta e através do qual é, por sua vez, afetado). É por meio dessas correntes sutis – chamadas de ares vitais quando traduzidas do sânscrito – que as impressões são transmitidas à mente acima, e através delas também são realizadas as façanhas extraordinárias da sala de sessões e do iogue indiano.
“E assim como alguém pode ferir seu corpo ao usar drogas ou práticas físicas de forma ignorante, as correntes e nervos mais sutis do homem interior também podem ser desajustados se alguém, por orgulho ou ignorância, tentar lidar com eles sem conhecimento.” (WQJ, “Replantando Doenças para Uso Futuro” [em inglês])
“A estrutura do homem astral interior é definida e coerente … Assim como o corpo externo tem uma coluna vertebral que é a coluna em que o ser se sustenta com o cérebro no topo, o corpo astral também tem sua coluna vertebral e cérebro. É material, pois é feito de matéria, por mais finamente dividida que seja, e não é da natureza do Espírito …
“Agora, assim como em nossa forma física o cérebro e a coluna vertebral são os centros dos nervos, no outro há também os nervos que se ramificam do cérebro interno e da coluna vertebral por toda a estrutura. Todos estes estão relacionados a cada órgão no corpo externo visível. Eles são mais na natureza de correntes do que nervos, como entendemos a palavra, e podem ser chamados de astro-nervos. Eles se movem em relação a centros tão grandes no corpo externo, como o coração, o centro da garganta, o centro umbilical, o baço e o plexo sacral …
“A coluna astro-espinhal tem três grandes nervos do mesmo tipo de matéria. Eles podem ser chamados de caminhos ou canais, pelos quais as forças se movem, para cima e para baixo, permitindo que o homem interno e externo, fique ereto, se mova, sinta e aja. Em termos gerais, eles correspondem exatamente aos fluidos magnéticos, ou seja, são respectivamente positivos, negativos e neutros, sendo seu equilíbrio constante essencial à sanidade. Quando a coluna astral atinge o cérebro interno, os nervos se alteram e se tornam mais complexos, tendo uma grande saída final no crânio“. (WQJ, “Mesmerismo” [em inglês])
“A calma ignorância resultante destes assuntos vitais pode ser agradável, mas não destruiria a existência da forma sutil da matéria chamada Akasha, nem do corpo sutil temporariamente chamado sukshma sharira, nem Mayavi Rupa, nem essas correntes astrais negativas e positivas conhecidas como Ida e Pingala, mas ainda não entendidos claramente por homens da ciência ou por “curandeiros metafísicos ou divinos”. (WQJ, “Of Metaphysical Healing“[em inglês])
“Considera-se que um determinado nervo, ou corrente psíquica, chamada Brahmarandhra-nadi, passe pelo cérebro próximo ao topo da cabeça. Nele se acumula mais do princípio luminoso na natureza do que em qualquer outra parte do corpo e é chamado de jyotis – a luz na cabeça … Este ponto – o final do Brahmarandhra-nadi – é também o lugar onde se faz a conexão entre o homem e as forças solares”. (WQJ, “Patanjali’s Yoga Aphorisms“, comentário explicativo sobre o Aforismo 3:33, pág.50)
“Por que os sete plexos nervosos do corpo irradiam sete raios? Por que existem estes sete plexos …?” (H. P. Blavatsky, “A Doutrina Secreta” Vol. 2, pág. 92)
“Aconselho você a interromper a concentração nos centros vitais que, novamente, pode se revelar perigosa a menos que sob a orientação de um professor”. Você aprendeu, até certo ponto, o poder da concentração, e a maior ajuda virá agora para você da concentração no Self Superior e da aspiração ao Self Superior. Além disso, se você pegar algum assunto ou frase do “Bhagavad Gita”, e concentrar sua mente nisso e meditar sobre isso, você obterá ótimos resultados com isso, e não há perigo nessa concentração”. (WQJ, “Cartas que me ajudaram“, pág. 115[em inglês])
“Tais sons [ou seja, como a audição de “sinos astrais”] são ouvidos, assim como muitos outros, por pessoas que se dedicam ao treinamento, e eles sempre significam mudanças ou alterações de certas condições e centros não percebidos no corpo, e as advertências feitas contra isso são para evitar que as pessoas sejam desviadas de seu verdadeiro progresso ao dar atenção indevida a tais fenômenos”. (WQJ, “Letter to Miss Julia Yates”, 1890)
“A pergunta é frequentemente feita: “Por que o celibato e a castidade devem ser uma regra e condição sine qua non do chelado convencional ou para o desenvolvimento de poderes psíquicos e ocultos? … Quando aprendemos que o “terceiro olho” já foi um órgão fisiológico, e que mais tarde, devido ao gradual desaparecimento da espiritualidade e ao aumento da materialidade (a natureza espiritual sendo extinta pelo físico), ele se tornou um órgão atrofiado … a conexão ficará mais clara. Durante a vida humana, o maior impedimento ao desenvolvimento espiritual, e especialmente à aquisição de poderes do Yoga, é a atividade dos nossos sentidos fisiológicos. A ação sexual estando intimamente ligada, por interação, com a medula espinhal e a matéria cinzenta do cérebro, é desnecessário dar qualquer explicação adicional. Naturalmente, o estado normal e anormal do cérebro, e o grau de trabalho ativo na medulla oblongata, reage poderosamente sobre a glândula pineal, pois, devido ao número de “centros” naquela região, que controla de longe a maior parte das ações fisiológicas da economia animal, e também devido à estreita e íntima proximidade entre as duas, uma ação “indutiva” muito poderosa deve ser exercida pela medulla sobre a glândula pineal. Tudo isso é bastante claro para o ocultista, mas é muito vago aos olhos do leitor comum”. (HPB, “A Doutrina Secreta” Vol. 2, págs. 295-296).
Artigos relacionados: “Teosofia sobre a Corpo astral” [em inglês] , “A Questão do Corpo etérico, do Corpo astral e de outros Corpos” [em inglês],”A Natureza setenária do Homem”
Isenção de responsabilidade
Tenha em mente que as explanações e exposições fornecidas pela redatora do site [www.blavatskytheosophy.com] não devem ser tomadas como uma autoridade infalível; elas meramente representam o melhor entendimento atual de uma estudante de Teosofia e podem estar sujeitas a alterações conforme mudam as compreensões e percepções da autora.