O Princípio Buddhi-Blavatskytheosophy
No recente artigo intitulado Atma – O Self Superior , descobrimos o que a Ciência Esotérica da Teosofia tem a dizer sobre a parte mais elevada do nosso ser, nosso verdadeiro Self, Espírito puro e eterno … referido na Teosofia como Atma, o 7º Princípio da constituição humana.
Mencionamos brevemente ali o fato de que o 6º Princípio, conhecido pelo nome sânscrito de Buddhi, serve como o veículo para a radiação direta da luz de Atma e que juntos, em conjunção um com o outro, eles são a Mônada, significando a “unidade primária”, “a unidade última” do nosso ser.
O Princípio Buddhi é muitas vezes chamado de Alma Espiritual nos ensinamentos teosóficos. Na definição exotérica geral do termo “Buddhi” – cuja definição pertence às filosofias do hinduísmo – é o princípio ou qualidade de discernimento, (como em inteligência discriminativa sábia), intuição e intelecto mais elevado. Mas o que é realmente?
À medida que fazemos um estudo adequado sobre isso, descobrimos que, no uso esotérico dos termos encontrados na Teosofia, Buddhi não é tecnicamente a faculdade de discernimento, intelecto, julgamento sábio ou intuição, embora esteja de fato muito associado a esses. Também chegamos à conclusão de que, assim como Atma é um Princípio Divino inteiramente universal e indiferenciado e não pessoal ou individual de forma alguma, o mesmo se aplica a Buddhi, pelo menos em nosso estágio atual de desenvolvimento. Nossa individualidade começa com o 5º Princípio – Manas – que é o Princípio da Mente, o Pensador, a Alma Humana, o Ego reencarnante, o verdadeiro “Eu” do nosso ser.
Como o 6º Princípio, entre o 7º e o 5º, Buddhi é o elo entre Atma e Manas, Manas e Atma. Em outras palavras, é o elo entre o Self e o Ego.
O Mestre K.H. diz em uma de suas Cartas que Manas, o quinto princípio, pode se tornar “centrado em Buddhi, o sexto princípio”. De fato, não só pode se centrar em Buddhi, mas seu próprio objetivo e propósito eterno é fazê-lo. O Mestre continua, fazendo a profunda afirmação de que “A energia suprema reside em Buddhi” mas que ela é “latente” enquanto Buddhi estiver “casado somente com Atma“. Essa energia divina suprema, mas latente, torna-se “ativa e irresistível” quando Manas se une a ela ou começa a se fundir com ela.
O altamente talentoso colega indiano de H.P. Blavatsky, T. Subba Row, elaborou sobre isto quando explicou que a verdadeira definição esotérica de Yoga – que literalmente significa “União” em sânscrito – é “a ‘união’ do nosso quinto princípio – onde reside nossa consciência individual – e do sexto com o sétimo princípio que, atualmente, apenas nos eclipsa. Por isso, o ocultismo não só nos ensina que os quatro princípios inferiores devem ser controlados, mas acrescenta que a conquista mais importante é controlar as porções inferiores do quinto – onde são gerados os impulsos que nos atraem para a Terra – de forma que todos estes quatro princípios, juntamente com a metade inferior do quinto, se tornem meramente como um manto (que pode ser colocado e retirado à vontade) cobrindo as porções superiores do quinto – fundidas no sexto e no sétimo. Quando esta união entre nosso quinto princípio superior – que nos dá a consciência “Eu sou Eu” – com a Mônada Espiritual (o sexto e sétimo princípios) é completamente realizada, o indivíduo então atinge o Nirvana ou se torna um Mukta – livre das correntes de Maya, nas quais todos nós estamos mais ou menos presos”. (Nota para “Yoga Vidya,” “T. Subba Row Collected Writings” Vol. 2, pág. 276)
“Compreenda a natureza e a essência do sexto princípio do Universo e do homem”, diz o Mestre K.H., “e você terá compreendido o maior mistério neste nosso mundo – e por que não – você não está rodeado por ele”?
Quando um indivíduo consegue unir Manas com Buddhi – o que nos dizem ser uma ocorrência muito rara, o fruto e resultado de muitas vidas dedicadas ao estudo espiritual sério, à prática espiritual e ao serviço espiritual – o resultado é referido como Manas-Taijasi ou Buddhi-Taijasi, que são termos sinônimos segundo o “Glossário” de HPB que está incluído no final de algumas edições de “A Chave para a Teosofia” e que difere em vários aspectos de “The Theosophical Glossary” que ela preparou posteriormente.
Ela diz: “Porque “Taijasi” significa o radiante, e Manas, tornando-se radiante em consequência de sua união com Buddhi, e sendo, por assim dizer, fundido nele, é identificado com este último; a trindade se tornou uma coisa só; e, como o elemento de Buddhi é o mais elevado, ele se torna Buddhi-Taijasi. Em suma, é a Alma humana iluminada pelo brilho da Alma divina, a razão humana iluminada pela luz do Espírito ou da AUTOCONSCIÊNCIA Divina“.
Esta União é também o que se entende por Pavamana, o “Fogo por Fricção”, um dos Três Fogos que desempenham um papel importante tanto no Esoterismo Oriental como nas escrituras exotéricas hindus populares. Embora algumas versões posteriores da “Teosofia” tenham ensinado que o Fogo por Fricção é o mais baixo e material dos Três Fogos e que o Fogo Elétrico (Pavaka) é o mais elevado e espiritual, este não é simplesmente o caso e é o exato oposto do que HPB tão cuidadosamente afirmou e explicou em “A Doutrina Secreta“.
Pois “o ‘Fogo de fricção’ significa a União entre Buddhi, o sexto, e Manas, o quinto, princípios, que assim são unidos ou consolidados juntos; o quinto se fundindo parcialmente e tornando-se parte da Mônada”. (Vol.2, pág.247) Pavaka é o mais baixo e material dos Três Fogos e Pavamana é aparentemente o mais elevado, o “Fogo Espiritual, somente o qual transforma o homem em uma entidade divina e perfeita”. (Vol.2, pág.105)
Aqui no plano físico da existência, Buddhi – sendo tão universal, puro, espiritual, subjetivo e quase inteiramente indiferenciado e não condicionado – é totalmente inconsciente e inativo, até que eventualmente se torne “consciente pela sua união com as faculdades superiores de Manas.”
Ou como o Mestre M., o Mestre K.H., e aquele que eles chamavam de seu “Agente Direto” HPB colocaram em “A Doutrina Secreta” – “Buddhi, per se, sendo tão próximo do Absoluto, é apenas consciência latente” (Vol.2, pág.275) e não faz nada por conta própria, mas é “um princípio passivo e latente, o veículo espiritual de Atma, inseparável da Alma Universal manifestada.” (Vol.2, pág.231)
Em “Transactions of the Blavatsky Lodge“, HPB novamente enfatiza este ponto, dizendo que “Buddhi no homem é o veículo de Atma, veículo o qual é da essência do plano mais elevado de Akasha e, portanto, não se diferencia”. (pág.28) E em “A Chave para a Teosofia“: “Buddhi, recebendo sua luz de Sabedoria de Atma, obtém suas qualidades racionais de Manas. Per se, como algo homogêneo, ele é desprovido de atributos. (Pág.102)
Uma das fontes mais importantes e esclarecedoras de informação sobre a Tríade Espiritual de Atma-Buddhi-Manas e uma infinidade de outras coisas além dessa, é o livro “The Secret Doctrine Dialogues“.
Presumivelmente perdidas ou destruídas por mais de um século, estas transcrições textuais de 21 das sessões de ensino privadas de HPB e de discussões com a Loja Blavatsky em Londres por fim ressurgiram e foram publicadas em forma de livro (722 páginas) em 2014 pela Theosophy Company em nome da Loja Unida de Teosofistas.
Não é exagero dizer que todo estudante sério de Teosofia precisa deste livro.
Os seguintes trechos, nas próprias palavras ditas por HPB aos seus estudantes, são citados desses Diálogos e servem para lançar mais luz sobre a natureza e o propósito de Buddhi.
* “Tomemos o setenário humano. Atma sozinho não é nada; não é apenas um alento, mas é simplesmente uma ideia, nada, porque é a Absolutez; é a essência de Ain-Soph ou Parabrahm; Buddhi é seu veículo e, ainda assim, Buddhi, mesmo em conjunção com Atma, continua a não ser nada neste plano”. (págs.438-439)
* “A missão de Buddhi é simplesmente projetar a luz divina [i.e. a Luz Atmica] sobre Manas, caso contrário, Manas estará sempre caindo no princípio kâmico [i.e. o 4º Princípio, a “Alma Animal“]; no princípio da matéria; ele se tornará Manas Inferior e atuará como Manas Inferior ou mente”. (pág.614)
* “Diz-se que Atma tem Buddhi como veículo, porque Buddhi já é a primeira diferenciação após a evolução do Universo. É a primeira diferenciação, e é o Upadhi, por assim dizer, do Atma. Então, Buddhi não é nada, por si só, mas simplesmente a primeira diferenciação. E é a consciência na consciência universal, mas é não-consciência neste mundo. Neste plano de consciência finita, ele é nada, pois é consciência infinita”. (págs.592-593)
Então, Buddhi é de fato a faculdade da Intuição ou não?
* “A Intuição está em Manas pela maior ou menor luz que Buddhi derrama sobre ela, quer seja assimilada muito ou pouco com Buddhi“.
* “Buddhi por si só não pode ter intuição, nem não-intuição, nem nada; é simplesmente o elo consolidador, por assim dizer, entre o Espírito superior [isto é, Atma] e Manas“. (pág.621)
* “A intuição pertence a Manas“. (pág.621)
* “Não se pode supor que Atma e Buddhi não possam ter qualquer relação com um homem, exceto que o homem está imerso neles. Enquanto ele vive, ele é eclipsado por estes dois; mas não é mais posse deles do que de qualquer outra coisa”. (pág.625)
* “Você nunca deve dizer: “meu Atma“; você não tem Atma. Esta ideia é a maldição do mundo. Ela produziu esse enorme egoísmo, esse egotismo … dizemos “nós somos”, “meu Atma“, “meu Buddhi“. Quem são vocês? Vocês não são ninguém; vocês são algo hoje, e amanhã não são mais. Até isso desaparece no final / fim da Manvantara no UM”. (pág.627)
Quando um respeitado teosofista fez a pergunta: “A apreensão de ideias abstratas mais elevadas é função de Manas, ou de Buddhi? HPB respondeu enfaticamente: “Buddhi não pode ter a apreensão de nada”. (pág.633)
Mas, para que não nos acomodemos e sintamos satisfeitos por termos agora resolvido o mistério de Buddhi e “desvendado a natureza e essência do sexto princípio do universo e do homem”, encontramos em “A Chave para a Teosofia” que o Princípio búddhico também “oculta um mistério, que nunca é revelado a ninguém, à exceção dos chelas irrevogavelmente comprometidos, ou, para todos os efeitos, daqueles em quem se pode confiar com segurança. Claro, haveria menos confusão se pudesse ser contado; mas como isto está diretamente relacionado ao poder de projetar o próprio duplo conscientemente e à vontade, e como esse dom, assim como o “anel de Gigantes”, se revelaria muito fatal para o homem em geral e para o possuidor dessa faculdade em particular, ele é cuidadosamente guardado”. (págs.119-120)
Há, é claro, muito mais que se pode ser aprendido e descoberto sobre Buddhi através do estudo e da reflexão meditativa sobre os escritos de H.P. Blavatsky e seus Mestres Adeptos da Irmandade Trans-Himalaiana. Mais referências podem ser encontradas em “Compreendendo nossos Sete Princípios” [em inglês]. Mas espera-se que tudo o que foi apresentado aqui neste artigo possa servir como um ponto de partida valioso para uma compreensão mais verdadeira e profunda do que o Mestre K.H., intrigantemente, chamou de “o maior mistério deste mundo”.
Leitura recomendada: “Devoção Mental e Buddhi Yoga” [em inglês].
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