Os Elementais e a Luz astral-Blavatskytheosophy
Há muito tempo, o tema dos elementais tem sido de interesse para muitas pessoas, assim como o tema do plano astral.
Os elementais, em particular, parecem ter sido amplamente mal compreendidos e distorcidos em muitos ensinamentos pós-teosóficos – e até mesmo em alguns dos chamados ensinamentos teosóficos do século XX, após a época de H. P. Blavatsky e William Quan Judge – de modo que o típico pesquisador espiritual de hoje pensa em um elemental como sendo uma pequena entidade amigável, geralmente parecida com um ser humano na aparência, e acredita que é bom tentar fazer contato e se comunicar com os elementais, também conhecidos e referidos como espíritos da natureza.
Porém, de acordo com os ensinamentos originais da Teosofia, essa é uma visão altamente equivocada e incorreta. O assunto dos elementais é altamente complexo e a maioria das pessoas parece desconhecer sua natureza, função e características reais, sem mencionar sua ligação e envolvimento extremamente próximos com a luz astral, que consiste, na verdade, em outro nome para o plano astral, a atmosfera psíquica de nossa Terra, que envolve e, em grande parte, interpenetra o plano físico material.
Há algumas declarações muito profundas e importantes sobre o tema nos ensinamentos da Teosofia e há até dois livretos disponíveis – “Conversas sobre ocultismo“[em inglês] I e II – que tratam quase inteiramente desse tema, em grande parte baseados em conversas entre William Judge e HPB que é designada como “Sábio”.
Na conversa sobre “Elementais e Elementares”, o “estudante” diz que “um elemental é um centro de força, sem inteligência, sem caráter moral ou tendências, mas capaz de ser dirigido em seus movimentos por pensamentos humanos, que podem, conscientemente ou não, dar-lhe qualquer forma e, em certa medida, inteligência”; em sua forma mais simples é visível como uma perturbação em um meio transparente, como o que seria produzido por um “peixe de vidro, tão transparente a ponto de ser invisível, nadando pelo ar da sala” e deixando atrás de si um brilho, como o que o ar quente faz ao subir de um fogão. ”
O “Sábio” responde que isso é correto, acrescentando que “algumas classes de elementais, entretanto, têm inteligência própria e um caráter, mas estão muito além de nossa compreensão e talvez devessem ter algum outro nome”. Aquela classe que mais tem a ver conosco responde à descrição acima. Eles são centros de força ou energia sobre os quais atuamos ao pensarmos e em outros movimentos corporais. Nós também agimos sobre eles e lhes damos forma por meio de uma espécie de pensamento do qual não temos registro. … Pois há um vasto campo desconhecido em cada ser humano que ele mesmo não entende até que tenha experimentado, e só depois de muitas iniciações”.
Aqui temos uma definição importante que vale a pena lembrar: “Eles são centros de força ou energia sobre os quais atuamos ao pensarmos e em outros movimentos corporais.”
Mais tarde, o Estudante pergunta “o que determina seus movimentos além do pensamento”, ao que o Sábio responde, “aquelas outras classes de pensamentos acima referidas; certas exalações dos seres; diferentes taxas e proporções de vibração entre os seres; diferentes mudanças de magnetismo causadas por causas presentes ou pela Lua e pelo ano; diferentes polaridades; mudanças de som; mudanças de influências de outras mentes à distância”.
Em uma conversa posterior – “Formas de Elementais” – o Sábio explica: “Você deveria pensar neles apenas como centros de energia, que sempre agem de acordo com as leis do plano da natureza ao qual pertencem”.
Vamos considerar mais algumas afirmações…
“Na Luz Astral … Os elementais são centros energéticos nela. … O mundo dos elementais é um fator importante em nosso mundo e na formação do estudante. Cada pensamento de um homem, quando desenvolvido, funde-se instantaneamente com um elemental e, então, fica além do poder do homem. Pode-se facilmente perceber que esse processo está ocorrendo a cada instante. Portanto, cada pensamento existe como uma entidade. Sua duração depende de duas coisas: (a) A intensidade original da vontade e do pensamento da pessoa; (b) O poder do elemental que se uniu a ele, sendo este último determinado pela classe à qual o elemental pertence. Esse é igualmente o caso de bons e maus pensamentos, e como a vontade sob a generalidade dos maus pensamentos geralmente é poderosa, podemos constatar que o efeito é muito importante, porque o elemental não tem consciência e obtém sua constituição e direcionamento do pensamento que ele possa carregar de tempos em tempos. Cada ser humano tem seus próprios elementais que participam de sua natureza e de seus pensamentos. “. (William Q. Judge, “Um Epítome da Teosofia“, págs. 20-22.) [em inglês]
“Os duendes elementais … participam de todos os movimentos da natureza e do homem em todo o globo e ao redor dele. … Cada pensamento nosso atiça e usa esses elementais, e o movimento do vento, os raios do Sol e os fluidos do corpo, com os movimentos dos órgãos, todos fazem a mesma coisa”. Esses elementais são os nervos da natureza, e não há nada que possa acontecer ou ser feito em qualquer departamento da vida que não envolva e utilize os duendes dos elementos. Com a ajuda deles, agindo somente sob a lei, nossos pensamentos voam de um lugar para outro – William Q. Judge, artigo “Espiritualismo” [em inglês].
“Existentes na esfera de Kama Loka, como, de fato, também em todas as partes do globo e do sistema solar, estão os elementais ou forças da natureza. Eles são inumeráveis e suas divisões são quase infinitas, já que são, em certo sentido, os nervos da natureza. Cada classe tem seu próprio trabalho, assim como cada elemento ou coisa natural. Assim como o fogo queima e a água corre para baixo e não para cima, de acordo com sua lei geral, assim os elementais agem sob a lei, mas sendo mais elevados na escala do que o fogo bruto ou a água, sua ação parece ser guiada pela mente. Alguns deles têm uma relação especial com as operações mentais e com a ação dos órgãos astrais, quer estejam eles ou não unidos a um corpo”. – William Q. Judge, “O Oceano da Teosofia“, capítulo XII, págs. 104-105.
“A divisão geral em ígneos, aéreos, terrestres e aquosos é bastante correta, mas não abrange todas as classes. Não há uma única coisa que aconteça conosco, não importa o que seja, em que os elementais não estejam envolvidos, porque eles constituem uma parte necessária da natureza, tão importante quanto as correntes nervosas do seu corpo”. – H.P. Blavatsky, “Conversas sobre o Ocultismo com H.P.B.“.
Então, pelo que lemos até agora, podemos reunir os seguintes pontos principais…
* Os elementais são centros de energia na luz astral.
* O “mundo elemental” ou “mundo dos elementais” é o mundo astral/plano astral/luz astral.
* Os elementais são “os nervos da Natureza”.
* Cada pensamento que temos se une a um elemental, através do qual ele se torna um ser vivo na luz astral.
* Cada um de nós tem “nossos próprios elementais que participam de [nossa] natureza e [nossos] pensamentos”.
* Os elementais estão envolvidos em tudo, em todos os departamentos da vida.
O importante e fundamental ensinamento ou princípio de que nossos pensamentos se unem aos elementais foi, pela primeira vez, claramente apresentado em inglês no ano de 1880, na primeira carta do Mestre ou Mahatma K.H. para A. O. Hume. O amigo de Hume, A. P. Sinnett, publicou-a mais tarde em seu livro “The Occult World” e hoje ela é publicada pela Theosophy Company (Los Angeles) no livro “Theosophical Articles and Notes”. O grande Adepto-Iniciado da Fraternidade Trans-Himalaiana explica:
“Todo pensamento do homem, ao evoluir, passa para o mundo interior e se torna uma entidade ativa ao se associar, coalescendo, como poderíamos dizer, com um elemental, ou seja, com uma das forças semi-inteligentes dos reinos. Ele sobrevive como uma inteligência ativa – uma criatura gerada pela mente – por um período mais longo ou mais curto, proporcional à intensidade original da ação cerebral que o gerou. Assim, um pensamento bom é perpetuado como um poder ativo e benéfico, e um pensamento mau como um demônio maléfico. E assim, o homem está continuamente povoando sua corrente no espaço com um mundo próprio, repleto de descendentes de suas fantasias, desejos, impulsos e paixões; uma corrente que reage sobre qualquer organização sensível ou nervosa que entre em contato com ela, na proporção de sua intensidade dinâmica. O budista chama isso de “Skandha”; o hindu lhe dá o nome de “Karma”. O Adepto desenvolve essas formas conscientemente; outros homens as lançam inconscientemente. Para ser bem-sucedido e preservar seu poder, o Adepto deve viver em solidão e mais ou menos dentro de sua própria Alma.”
Mas se imaginarmos que cada pensamento que pensamos coalescendo automaticamente com um elemental significa que um pensamento “flutua para fora de nossa cabeça” e então um elemental passa voando e se apodera dele, estaremos materializando o significado real do processo, que, reconhecidamente, é quase impossível de ser expresso em palavras. Mencionamos isso porque um visitante do website [www.blavatskytheosophy.com] nos escreveu dizendo: “Acho estranho que a Teosofia diga que cada um de meus pensamentos é agarrado por uma fada”. Mas essa não é a ideia que a Teosofia tenta transmitir e, como já foi dito, devemos pensar nesses elementais simplesmente como centros de energia ou centros de força, não como fadas ou duendes, etc. Talvez a explicação mais clara e direta do processo seja encontrada no artigo inacabado e publicado postumamente por William Judge, intitulado “Occultism”:
“Não é suficientemente bem compreendido que cada uma dessas emissões ou processos energéticos que chamamos de “um pensamento” molda a matéria sutil do éter em um forma etérica … Quanto mais intenso o pensamento – ou quanto maior for a tensão do pensamento, em outras palavras – por mais tempo a forma etérica se coaduna como tal. Essas formas-pensamento não apenas agem externamente, mas também reagem sobre seus criadores. A importância de disciplinar nossos pensamentos, tendo em vista a potência plástica da Alma e seu poder imaginativo, torna-se, portanto, evidente. Como o pensamento é dinâmico, essas imagens – muitas vezes elas próprias uma aglomeração de vidas, pois a substância atômica do éter é, cada átomo dela, uma vida – essas imagens são sentidas em toda parte.” [Nota: Na terminologia teosófica original, o éter é outro nome para a luz astral, o plano astral].
O termo “Natureza”, que foi mencionado nas citações anteriores, é muito usado nos ensinamentos teosóficos, mas seu significado pretendido pode ser facilmente mal compreendido. Quando os Mestres, HPB, WQJ, Robert Crosbie e qualquer outro proponente dos ensinamentos originais se referem à “Natureza”, eles a usam em 99% das vezes como sinônimo da totalidade do Universo manifestado, incluindo todos os seus vários planos, reinos e dimensões. Eles não estão falando particularmente da Natureza física que vemos ao nosso redor, como árvores, campos, rios, animais e assim por diante. É claro que isso está incluído nela, é claro, e é muito importante para nós que vivemos nesta Terra, mas é apenas uma parte extremamente pequena do que se entende por “Natureza” no sentido filosófico e metafísico.
Isso é algo que fez com que o conceito de panteísmo fosse extremamente mal compreendido e deturpado. O verdadeiro panteísmo não é a adoração da Natureza física e objetiva, mas sim o reconhecimento de que o Universo e tudo o que nele existe é um todo divino. O termo vem das palavras gregas “Pan-Theos”, que significam literalmente “Todo-Divino”, “Toda-Deidade” ou “Divindade de Tudo”.
Em “A Chave para a Teosofia“, HPB explica que, para as percepções de um verdadeiro esoterista ou filósofo, a natureza física objetiva que vemos ao nosso redor é apenas “uma ilusão evanescente”, um “agregado de sombras esvoaçantes e irrealidades finitas”. Ela continua: ” Deixemos para os compositores de hinos chamarem o céu visível ou o paraíso de Trono de Deus, e de escabelo a nossa Terra de lama/barro. Nossa DEIDADE não está em um paraíso, nem em uma árvore, edifício ou montanha em particular: Ela está em toda parte, em cada átomo do Cosmo visível como do invisível, dentro, sobre e ao redor de cada átomo invisível e de toda molécula divisível; pois AQUILO é o poder misterioso da evolução e da involução, o onipresente, onipotente, e até mesmo onisciente potencial criativo”. (pág. 64)
Assim, quando somos encorajados na literatura teosófica a nos tornarmos “colaboradores da Natureza” e a “ajudar a Natureza e trabalhar com Ela”, estamos falando de todo o esquema das coisas e nos referindo ao próprio desdobramento progressivo adequado e à atualização do impulso evolutivo do Universo, e não dizendo que devemos ir limpando um lago ou abraçar algumas árvores, embora, é claro, não haja nada de errado nisso!
Essa explicação pode nos ajudar a entender mais claramente o que de fato se entende por termos como “os nervos da Natureza” e “espíritos da Natureza”. Embora seja verdade que toda a natureza física objetiva é permeada por elementais de vários graus e tipos, o termo “Espíritos da Natureza”, como outro nome para elementais, realmente significa “Espíritos que existem em toda parte do Universo”.
É em parte por meio do trabalho misterioso e muito velado dos Lipikas, que se diz serem os “Escribas Cármicos”, e em parte por meio da ação automática dos elementais, que cada pensamento, palavra, ação e movimento que já ocorreu fica indelevelmente impresso nas “tábuas” da luz astral, que em um sentido pode ser chamada de Memória Universal. Ela também é chamada de Livro da Vida, no qual há um registro automático de cada ato já realizado.
“Provavelmente não há, em todo o campo de estudo teosófico, nada tão interessante quanto a luz astral. … Através do conhecimento de suas propriedades, afirma-se que todos os fenômenos maravilhosos dos iogues orientais são realizados. Afirma-se também que a clarividência, a clariaudiência, a mediunidade e a vidência, como conhecidas pelo mundo ocidental, só são possíveis por meio dela. É o registro de nossos atos e pensamentos, a grande galeria de imagens da Terra, onde o vidente pode sempre contemplar qualquer evento que já tenha acontecido, assim como os que estão por vir. Nadando nela como em um mar estão seres de várias ordens e também os restos astrais de homens e mulheres falecidos. Os rosa-cruzes e outros místicos europeus chamavam esses seres de Silfos, Salamandras, Gnomos, Ondinas, Elementais: os hindus os chamam de Gandharvas ou músicos celestiais, Yakshas, Rakshasas e muitos outros. Os “fantasmas” dos mortos – confundidos pelos espiritualistas com os indivíduos que não existem mais – flutuam nessa substância akáshica, e há séculos são conhecidos pelos místicos hindus como Bhuta, outro nome para demônio, ou Pisacha, um demônio horrível – nenhum deles algo mais do que o corpo-alma descartado mais próximo da Terra, desprovido de consciência e poderoso apenas para o mal”. – William Q. Judge, “Ecos do Oriente“, pág. 60 [em inglês]
“É incorreto falar que um lugar é mais cheio de elementais do que outro. Poderíamos muito bem dizer que há mais espaço em um ponto do espaço do que em outro”. Os elementais estão em toda parte, assim como os animálculos enchem o ar; eles obedecem às leis peculiares a eles mesmos e se movem nas correntes do éter. Se de vez em quando eles se manifestam, isso não significa que um número adicional tenha sido atraído para o local, mas apenas que as condições foram alteradas de modo a causar alguma perturbação”. – William Q. Judge, “Perguntas e respostas” [em inglês], da Revista “The Path”, Fev. 1896.
“Cada pensamento se refere a alguma coisa e produz uma imagem daquela coisa; a concentração do Pensador sobre a matriz que Ele criou atrai para ela as vidas que pululam na atmosfera terrestre, energiza-as e lhes dá direcionamento, de acordo com a motivação e o desejo do Pensador; esta matriz, feita uma força viva, pode insidiosamente mobilizar outros Pensadores cujas índoles e desejos são semelhantes, ou que têm as sementes de tais desejos dentro de si, e tudo isso estando ou não o criador da matriz consciente dos resultados. “Pensamento” ou mais corretamente, a
capacidade de pensar, é o mais poderoso agente construtivo, destrutivo, mantenedor ou regenerador que todos os seres possuem; ele age fracamente e fortemente, de acordo com o conhecimento e poder de concentração do Pensador. No ocultismo, “pensamento” é o plano real de ação; o que vemos ou percebemos fisicamente são apenas os efeitos do pensamento.”. – Robert Crosbie, “Respostas a Perguntas sobre o Oceano de Teosofia” págs. 62-63.
A luz astral não apenas registra, mas também reflete, como explica a passagem acima É assim que pensamentos, desejos, ideias e comportamentos de uma pessoa “podem insidiosamente impelir à ação outras pessoas cuja natureza e desejos sejam semelhantes ou que tenham as sementes de tais desejos dentro de si, e tudo isso quer o criador da matriz esteja consciente dos resultados ou não. A dimensão toda de nossa responsabilidade cármica é muito maior do que podemos sequer começar a imaginar.
Os elementais – que, lembremos, não são seres humanos em miniatura sentados em cogumelos em florestas encantadas, mas centros de energia e de força na luz astral – estão vitalmente envolvidos em tudo isso.
No capítulo intitulado “Elementais – Carma” em “Conversas sobre o Ocultismo I“ [em inglês] o Sábio, usando o termo “mundo elemental” como sinônimo de “luz astral”, diz ao Aluno que há, assim, uma conexão “muito importante” entre o Carma da Humanidade e o Mundo Elemental. Este último “tornou-se um forte fator no Carma da raça humana”. Sendo “inconsciente, automático e fotográfico” – “força inconsciente” – ele registra automaticamente e é gravado com “todas as ações, pensamentos e desejos dos homens” e depois os reflete de volta sobre a humanidade em geral. Assim, “sendo inconsciente e agindo apenas de acordo com as leis naturais do seu ser, o mundo elemental é um fator poderoso no funcionamento do Carma”.
É por isso que, em “A Voz do Silêncio”, é dito ao aspirante à iniciação: “Se não queres ser morto por eles, então deves tornar inofensivas as tuas próprias criações, os filhos dos teus pensamentos, invisíveis, impalpáveis, que enxameiam ao redor da humanidade, a progênie e os herdeiros do homem e dos seus despojos terrestres”. (pág. 55, edição original de 1889)
O Sábio observa que “Se os homens vissem as terríveis imagens impressas ali e que constantemente lançam sobre nós suas sugestões para repetirmos os mesmos atos ou pensamentos, um milênio logo poderia se aproximar”. A luz astral é, nesse sentido, o mesmo que a placa negativa de um fotógrafo, e nós somos o papel sensível embaixo, no qual está sendo impressa a imagem. Podemos ver dois tipos de imagens para cada ato. Uma é o ato em si e a outra é a imagem dos pensamentos e sentimentos que animam os envolvidos nele. Portanto, você pode perceber que você pode ser responsável por muito mais imagens terríveis do que supunha. Porque ações de simples aparência externa têm por trás delas, muitas vezes, o pior dos pensamentos ou dos desejos”.
Devemos entender que, embora nossos pensamentos tenham um efeito tão profundo, sério e prolongado, na verdade não estamos nos comunicando diretamente com os elementais através de nossos pensamentos. Em “Leis que regem os Elementais” [em inglês], o Sábio diz: “Seus pensamentos não os alcançam”. Eles não ouvem nem veem você …”. Isso não invalida nem contradiz qualquer coisa do que já dissemos, mas é apenas um lembrete de que os elementais não são entidades pessoais ou individualmente inteligentes (com exceção de certas classes superiores não mencionadas que, de qualquer forma “estão muito além de nossa compreensão”), mas são “centros energéticos” que respondem ao pensamento humano apenas em um sentido cego e automático.
Talvez os quatro pontos mais importantes encontrados a respeito dos elementais em “A Doutrina Secreta” de H. P. Blavatsky sejam os seguintes…
* A comunicação com eles e o comando deles é feita por meio das vibrações de sons e cores, mas tais conhecimento e detalhes são mantidos em segredo entre os Iniciados e Adeptos, pela segurança da própria humanidade. (Vol. 1, pág. 514)
* Todos eles entrarão no Reino Humano, embora em algum momento muito distante da evolução. (Vol. 1, pág. 277)
* São eles que informam os elementos fenomênicos, mas os próprios Elementos reais são algo numênico e invisível. (Vol. 1, pág. 461)
* “Como o homem é composto de todos os Grandes Elementos”: Fogo, Ar, Água, Terra e Éter – os ELEMENTAIS que pertencem respectivamente a esses Elementos sentem-se atraídos ao homem por causa da sua coessência. Aquele elemento que predomina em uma determinada constituição será o elemento dominante ao longo da vida. Por exemplo, se o homem tiver uma preponderância do elemento Terra, gnômico, os gnomos o levarão a assimilar metais – dinheiro e riqueza, e assim por diante”. (Vol. 1, pág. 294)
Tradicionalmente, os elementais do fogo foram chamados de Salamandras, os elementais do ar foram chamados de Silfos (descritos por WQJ como “os elementais do reino do ar – os mais poderosos e malignos”), os elementais da água foram chamados de Ondinas e os elementais da terra foram chamados de Gnomos ou, às vezes, tanto de Gnomos quanto de Fadas.
Quando HPB diz que “os gnomos o levarão a assimilar metais – dinheiro e riqueza, e assim por diante”, estamos fadados a entender e interpretar mal isso se pensarmos nisso em termos de um gnomo de contos de fada levando um homem para uma pilha de dinheiro em algum lugar. As concepções antropomórficas distorcem gravemente nossa compreensão dos elementais, assim como distorcem nossa compreensão da Deidade, a UNA Vida Divina e Infinita. Pode ser necessário um esforço repetido para que alguns de nós tirem tais imaginações infantis da mente, mas devemos fazê-lo se quisermos realmente obter uma compreensão verdadeira e precisa de tais coisas.
Na conversa sobre “Formas dos Elementais“, o Sábio enfatiza que “Os elementais não têm forma”. … eles não têm sequer uma forma sombria, vaga e astral, como a que é comumente atribuída a fantasmas. Eles não têm uma forma pessoal distinta na qual possam se revelar. … A forma dada ou assumida por qualquer elemental é sempre subjetiva em sua origem. Ela é produzida pela pessoa que vê e que, para ser mais sensível à presença do elemental, inconscientemente lhe deu uma forma. Ou pode ser devida a uma impressão coletiva em muitos indivíduos, resultando na suposição de uma forma definida que é o resultado das impressões combinadas. … os elementais vivem em e através de todos os objetos, assim como além da atmosfera terrestre”.
O assim chamado gnomo é, de fato, apenas um centro de energia astral que se relaciona especificamente com certos aspectos do elemento terrestre ou material e seu Princípio correspondente na constituição humana.
“Exceto alguns dos tipos mais elevados e seus governantes, eles são mais forças da natureza do que homens e mulheres etéreos.” (HPB, “The Theosophical Glossary”, pág. 112, verbete para “Elemental”)
Anteriormente, vimos que se dizia que “cada ser humano tem seus próprios elementais que participam de sua natureza e de seus pensamentos”. Os elementais são às vezes referidos na Teosofia como “vidas”, como na citação de Robert Crosbie.
Referindo-se aos nossos próprios elementais, William Judge disse: “Se há algum ponto fortemente defendido no ocultismo é que somos um composto de vidas, que cada parte de nós é feita assim e, daí, decorre que nossa natureza inferior é feita dessas vidas”. Não há vácuo no universo desprovido de uma vida. Mas, embora seja assim, essas vidas, na medida em que vão compondo o homem, não devem ser consideradas como seres separados dele mesmo, a quem ele pode “educar”, conforme inferido na pergunta, a partir de uma posição como homem que está separado delas. Elas existem nele e, à medida que ele vive e pensa, ele imprime nelas seus pensamentos e atos e, como elas o deixam a cada momento, segue-se que uma corrente dessas vidas de muitos graus e tipos está continuamente sendo projetada dele para o espaço e formando seu próprio Carma”. (“Respostas do Fórum“, pág. 42)
Novamente: “à medida que ele vive e pensa, ele imprime nelas [isto é, em seus próprios elementais] seus pensamentos e atos e, enquanto os elementais o deixam a cada momento, consequentemente uma corrente dessas vidas de muitos graus e tipos está continuamente sendo projetada dele para o espaço e formando seu próprio Carma”.
Como o Sábio disse ao Aluno, “o mundo elemental é um fator poderoso no funcionamento do Carma”. Somos tão extremamente responsáveis e já está mais do que na hora de assumirmos a responsabilidade por nós mesmos e começarmos a viver nossas vidas de forma consciente e inofensiva.
Em outro lugar, o Sábio explica que “Cada pessoa tem em torno dela um fluido, ou plano, ou esfera, ou energia, como queira chamá-lo, no qual são constantemente encontrados elementais que participam de sua natureza”. Ou seja, eles são matizados com sua cor e marcados por seu caráter”. Esta esfera de energia que envolve o indivíduo também é descrita pelo Sábio como nossa “esfera astral”, na qual nossos pensamentos ficam gravados como imagens. Ela também é mencionada como “a porção da luz astral pertencente a cada um de nós com seus elementais”.
Uma grande quantidade de informações está escondida ou oculta somente nessas poucas frases e aqueles que pensam e refletem cuidadosamente sobre elas podem aprender muito sobre a natureza da Aura Humana, pois é a ela que estamos nos referindo aqui. No segundo volume de “A Doutrina Secreta”, é ensinado que a Aura é uma esfera em forma de ovo que envolve o corpo astral. HPB revela ainda, no “Glossário Teosófico”, que ela é “um eflúvio psíquico”, “uma essência ou fluido sutil e invisível que emana de corpos humanos e animais e até mesmo de coisas”. Ela diz que a Aura é afetada e alterada tanto pela mente quanto pelo corpo e que é tanto uma Aura “Eletro-Vital” quanto uma Aura “Eletro-Mental” ao mesmo tempo. (“Glossário Teosófico” pág. 44, verbete para “Aura”)
WQJ diz algo bastante interessante em um de seus primeiros artigos, “A Lei Moral de Compensação“, quando nos informa que “Os antigos ensinavam que a luz astral – Akasha – é projetada a partir dos olhos, dos polegares e das palmas das mãos. Agora, como os elementais existem na luz astral, eles serão capazes de ver apenas através daquelas vias do organismo humano que são usadas pela luz astral para se propagar a partir da pessoa. Os olhos são as mais convenientes. Assim, quando essa pessoa direciona seu olhar para qualquer coisa ou pessoa, a luz astral sai por esse olhar e, através dele, os elementais veem aquilo para o qual ela olha”.
Alguns de nossos leitores podem estar se perguntando: “Esta “luz astral” é a mesma coisa que Akasha? As coisas que são ditas sobre ela fazem com que pareça a mesma coisa que os Registros Akáshicos”.
Em geral, a Teosofia não utiliza o termo “Registros Akáshicos”. Nem HPB, W.Q. Judge ou os Mestres jamais o usaram em seus escritos. O termo foi inventado mais tarde, por outros, e agora é usado com mais frequência no Movimento da Nova Era, onde todo o conceito e a realidade por trás dele tendem a ser distorcidos, mal compreendidos e banalizados.
“Akasha” e “Luz Astral” não são exatamente termos sinônimos. Akasha é algo muito maior e infinitamente mais importante do que a maioria das pessoas que usam a palavra casualmente apercebe. “A Doutrina Secreta” ensina que “Akasha” pode ser definido em poucas palavras: é a Alma Universal, a Matriz do Universo, o “Mysterium Magnum” do qual tudo o que existe nasce por separação ou diferenciação. É a causa da existência; preenche todo o Espaço infinito; é o próprio Espaço, em um sentido, tanto em seu Sexto quanto em seu Sétimo princípios”. (Vol. 2, pág. 511)
Em “Isis Unveiled”, o primeiro livro de HPB, Akasha é definido como a fonte de toda a vida, o reservatório de toda a energia e o movimento por trás de toda mudança da matéria. Mais tarde, HPB sustenta em “Transactions of the Blavatsky Lodge” (Pág.96) que Akasha “é a consciência divina eterna” e que é incondicionado, indiferenciado e infinito. Obviamente, só pode haver um Infinito e, assim, o artigo “A Matéria é eterna” demonstra que Akasha, Mulaprakriti, Brahman, Parabrahman e Svabhavat são, na verdade, todos termos sinônimos para a Una Realidade Absoluta Divina, o Princípio Supremo e Derradeiro que é a Causa Sem Causa e a Raiz Sem Raiz de tudo.
A luz astral, portanto, é uma manifestação inferior de Akasha. Há uma “luz astral divina superior” e, também, uma “luz astral material inferior”. A luz astral divina superior é o reino dos arquétipos cósmicos, enquanto a luz astral inferior foi descrita como os “resíduos inferiores” de Akasha. É isso que temos discutido neste artigo, pois é com isso que a humanidade está atualmente mais diretamente envolvida.
Talvez devêssemos ver o que diz HPB no verbete “Luz Astral” no “The Theosophical Glossary”: “A região invisível que circunda nosso globo, como o faz com todos os outros, e que corresponde, como o segundo Princípio do Kosmos (o terceiro a Vida, da qual é o veículo), ao Linga Sharira ou ao Duplo Astral no homem. Uma Essência sutil, visível apenas para um olho clarividente, e a segunda mais baixa (a saber, a Terra) dos Sete Princípios Akáshicos ou Kósmicos. Eliphas Levi a chama de a grande Serpente e o Dragão do qual irradia sobre a humanidade toda influência maléfica. Isso é verdade; mas porque não acrescentar que a Luz Astral não fornece nada além do que recebeu; que ela é o grande cadinho terrestre, no qual as emanações vis da Terra (morais e físicas), das quais a Luz Astral se alimenta, são todas convertidas em sua essência mais sutil e irradiadas de volta intensificadas, tornando-se assim epidemias – morais, psíquicas e físicas. Por fim, a Luz Astral é a mesma que a Luz Sideral de Paracelso e de outros filósofos herméticos”.
“Assim, enquanto ele [isto é, Akasha] é a Causa universal em sua unidade imanifesta e infinita, a Luz Astral torna-se, com relação à humanidade, simplesmente os efeitos das causas produzidas pelos homens em suas vidas pecaminosas. Não são seus habitantes brilhantes – sejam eles chamados de Espíritos de Luz ou das Trevas – que produzem o Bem ou o Mal, mas a própria humanidade que determina a ação e a reação inevitável no grande agente mágico. … A humanidade, em suas unidades, pode vencer e dominar seus efeitos; mas somente pela santidade de suas vidas e pela produção de boas causas. … A Luz Astral, os efeitos manifestados dos dois que são um, guiados e atraídos por nós mesmos, é o Carma da humanidade”. – H.P. Blavatsky, “The Secret Doctrine” Vol. 2, págs. 512, 513
Dissemos muita coisa neste artigo e é melhor encerrá-lo agora. O conhecimento que a Teosofia oferece e proporciona a respeito dos temas gêmeos dos elementais e da luz astral é de tremenda importância e merece estudos frequentemente repetidos, conforme esperamos ter demonstrado aqui. O Mestre K.H. tem falado dos elementais como “forças da natureza” e é assim que devemos pensar neles… como “os nervos da natureza”… lembrando o que a Natureza de fato significa em seu sentido maior e mais elevado.
Uma história curta, mas memorável e esclarecedora, que é mais uma ilustração de realidades do que uma história no sentido comum, é “The Skin of the Earth“ [em inglês] de William Judge. Ela se refere aos elementais, ao pensamento e à Terra em que vivemos, e é altamente recomendada.
Vimos ao longo deste artigo a tremenda responsabilidade que cada um de nós tem para com nossos semelhantes, mas esperamos que nossa tremenda responsabilidade para com os próprios elementais também tenha sido percebida. Embora mal possam ser chamados de “seres”, eles são, no entanto, Mônadas em evolução e, estando na extremidade mais baixa da escala evolutiva, enquanto nós estamos virtualmente na mais alta, devemos ajudá-los e assisti-los, fornecendo-lhes apenas o melhor e o tipo certo de impressão, impulso, coloração e direção, e desfazendo consciente e deliberadamente o tipo errado de impressão, impulso, coloração e direção com os quais os revestimos. A cura de nós mesmos – individual e coletivamente – é inseparável da cura dos elementais e vice-versa. Agora é o momento de purgar, purificar, refinar, elevar e espiritualizar todo o nosso Ser, de dentro para fora. Não há ninguém nos impedindo, a não ser nós mesmos.
Isenção de responsabilidade
Tenha em mente que as explanações e exposições fornecidas pela redatora do site [www.blavatskytheosophy.com] não devem ser tomadas como uma autoridade infalível; elas meramente representam o melhor entendimento atual de uma estudante de Teosofia e podem estar sujeitas a alterações conforme mudam as compreensões e percepções da autora.