A Matéria é eterna-Blavatskytheosophy
“Aham eva param Brahma” – Eu próprio sou um deus.
“O que você quer dizer com isso?”
“Quero dizer que cada ser na Terra, por mais humilde que seja, é uma parte imortal da matéria imortal.”
A resposta é aquela que seria óbvia para todo filósofo, cabalista e gnóstico dos primeiros tempos. Ela contém o próprio espírito do mandamento délfico e cabalístico, pois a filosofia esotérica desvendou, há muito tempo, o problema do que o homem era, é e será.
H.P. Blavatsky, “Isis Unveiled” Vol. 2, pág. 262
Quando os ensinamentos da Teosofia repetem a importante verdade de que “a matéria é eterna”, eles não se referem à matéria manifestada, objetiva e tangível que podemos ver e sentir ao nosso redor.
Em todo e qualquer um dos seus sete graus ou planos de existência, a matéria manifestada é ilusão. Este é o significado do ditado hindu que diz que “Prakriti é Maya“. É mayavica, ilusória, porque é, em última análise, temporária, impermanente e finita. É sempre mutável e, portanto, não pode ser considerada verdadeiramente real, embora, sem dúvida, exista objetivamente neste momento.
Mas, apesar de Prakriti ser Maya, Mulaprakriti é a Realidade eterna. “Mulaprakriti” significa literalmente “Matéria-raiz”. Em “A Doutrina Secreta” e em outros lugares, é usada como sinônimo de outros termos sânscritos como Akasha, Pradhana e Svabhavat. Em “Transactions of the Blavatsky Lodge“, HPB a descreveu como “Matéria Espiritual”.
É a Matéria Abstrata Absoluta, que é perfeita e literalmente UNA com o Espaço Abstrato Absoluto, o Movimento Abstrato Absoluto e a Duração Abstrata Absoluta. Os estudantes de “A Doutrina Secreta” estarão cientes de que estes são os quatro termos pelos quais a Ciência Esotérica Oriental se refere à Realidade Suprema Una. Parabrahm (ou Brahman) e Mulaprakriti são um em essência e inseparáveis. O Espírito puro e eterno é Matéria pura e eterna e vice versa.
Esperamos que esta breve explicação, juntamente com as citações a seguir, ajudem a esclarecer o que, ao longo dos anos, tem sido às vezes uma fonte de confusão e mal-entendidos. Parabrahm-Mulaprakriti é a Causa sem Causa e a Raiz sem Raiz.
“”A matéria é eterna”, diz a Doutrina Esotérica. Mas a matéria que os ocultistas concebem em seu estado Laya, ou estado zero, não é a matéria da ciência moderna… Há uma diferença entre matéria manifestada e a não manifestada, entre Pradhana, a causa sem início e sem fim, e Prakriti, ou o efeito manifestado”.
H.P. Blavatsky, “A Doutrina Secreta” Vol. 1, pág. 545
“Esperamos ter provado até agora os seguintes fatos: … (4) A matéria é eterna”.
H.P. Blavatsky, “A Doutrina Secreta” Vol. 1, pág. 280
“O ocultismo … repete com a mesma certeza de sempre: “A MATÉRIA É ETERNA, tornando-se atômica (em seu aspecto) apenas periodicamente”.
H.P. Blavatsky, “A Doutrina Secreta” Vol. 1, pág. 552
“O PENSAMENTO DIVINO … impregna a matéria, que é coeterna com a REALIDADE UNA; e tudo o que vive e respira evolui a partir das emanações do UNO Imutável – Parabrahm = Mulaprakriti, a raiz una eterna. O primeiro deles … é abstração absoluta; enquanto em seu aspecto como Mulaprakriti – a raiz eterna de tudo – dá-nos alguma compreensão vaga, ao menos do Mistério do Ser”.
H.P. Blavatsky, “A Doutrina Secreta” Vol. 1, pág. 340
“O Espírito Divino Absoluto é uno com a Substância Divina Absoluta: Parabrahm e Mulaprakriti são um em essência”.
H.P. Blavatsky, “A Doutrina Secreta” Vol. 1, pág. 337
“A Lei fundamental nesse sistema [isto é, da Sabedoria Eterna, a própria Doutrina Secreta], o ponto central do qual tudo emergiu, em torno do qual e para o qual tudo gravita e sobre o qual se sustenta a filosofia do resto, é o Uno PRINCÍPIO-SUBSTÂNCIA divino homogêneo, a una causa radical”.
H.P. Blavatsky, “A Doutrina Secreta” Vol. 1, pág. 273
“… esta Essência Absoluta desconhecida … Aquilo, é mais bem descrita como nem Espírito nem matéria, mas ambos. “Parabrahm e Mulaprakriti” são Um, na realidade, mas dois na concepção Universal do manifestado, mesmo na concepção do Logos Uno, sua primeira manifestação, à qual, como mostra o competente palestrante em “Notas sobre o Bhagavad Gita” [ou seja, T. Subba Row], Aquilo aparece do ponto de vista objetivo do Logos Uno como Mulaprakriti e não como Parabrahm“.
H.P. Blavatsky, “A Doutrina Secreta” Vol. 1, págs. 273-274
“A “Raiz” significa, como já explicado, conhecimento puro (Sattva), realidade eterna (Nitya) e incondicionada ou SAT (Satya), quer a chamemos Parabrahm ou Mulaprakriti, pois estes são os dois aspectos do UNO”.
H.P. Blavatsky, “A Doutrina Secreta” Vol. 1, págs. 68-69
“… a substância eterna preexistente, ou matéria … substância que, de acordo com nossos ensinamentos, é espaço ilimitado e eternamente existente”.
H.P. Blavatsky, “A Doutrina Secreta” Vol. 2, pág. 239
“… o material eterno”.
H.P. Blavatsky, “ A Doutrina Secreta ” Vol. 2, pág. 510
“… Mulaprakriti, a matéria-raiz e a primeira ideia abstrata que se pode formar de Parabrahm“.
H.P. Blavatsky, “ A Doutrina Secreta ” Vol. 1, pág. 536
“… Parabrahm e Mulaprakriti, o UNO sob dois aspectos”.
H.P. Blavatsky, “ A Doutrina Secreta ” Vol. 1, pág. 46
“Não é a matéria como a conhecemos, mas a essência espiritual da matéria, e é coeterna e até mesmo UNA com o Espaço em seu sentido abstrato. A natureza-raiz é também a fonte das propriedades sutis invisíveis na matéria visível. Ela é a Alma, por assim dizer, do Espírito infinito UNO. Os hindus chamam-na de Mulaprakriti, e dizem que é a substância primordial, que é a base do Upadhi ou veículo de todos os fenômenos, sejam eles físicos, mentais ou psíquicos”.
H.P. Blavatsky, “A Doutrina Secreta” Vol. 1, pág. 35
“A matéria primordial inicial, eterna e coeva com o Espaço, “que não tem nem início nem fim”, “não é quente nem fria, mas tem uma natureza peculiar”, diz o Comentário (Livro II)”.
H.P. Blavatsky, “A Doutrina Secreta” Vol. 1, pág. 82
“… compare com Parabrahm-Mulaprakriti e os três Logoi, em “A Doutrina Secreta”.
H.P. Blavatsky, “Reflexões sobre Ormuzd e Ahriman” [em inglês]
“Em outras palavras, acreditamos apenas na Matéria, na matéria como natureza visível e na matéria em sua invisibilidade como o invisível, onipresente e onipotente Proteu, com seu movimento incessante que é sua vida”.
“A matéria que sabemos ser eterna, ou seja, não teve início”.
“… matéria eterna e ilimitada…”
Mestre K.H.
“A matéria é infinita e indestrutível e inexistente sem o Espírito, que, na matéria, é Vida”.
Mestre K.H.
“A matéria é tão indestrutível e eterna quanto o próprio Espírito imortal, mas somente em suas partículas, e não como formas organizadas”.
H.P. Blavatsky, “Isis Unveiled” Vol. 1, pág. 328
“A matéria dos filósofos orientais não é a “matéria” e a Natureza dos metafísicos ocidentais”.
H.P. Blavatsky, “ A Doutrina Secreta ” Vol. 1, pág. 149
” Mas a Matéria aqui mencionada não é aquela comumente conhecida como tal. É a Matéria verdadeira que é sempre invisível e tem sido chamada algumas vezes de Matéria Primordial. No sistema bramânico, é denominada Mulaprakriti “.
William Q. Judge, “O Oceano da Teosofia“, pág. 15
Por necessidade filosófica e lógica, o Absoluto deve ser tanto a própria essência do Espírito (ou Consciência) quanto a própria essência da Matéria (ou Substância). Portanto, não importa realmente se o chamamos de Parabrahm ou Mulaprakriti ou “Parabrahm=Mulaprakriti“, como diz HPB. É tão correto dizer “Acreditamos apenas no Espírito” quanto dizer “Acreditamos apenas na Matéria”, uma vez que os “dois” são UM em sua natureza absoluta e última, e esse UM é a Única e Verdadeira REALIDADE.
Veja também a seção explicativa sobre “Substância Primordial e Pensamento Divino” em “ A Doutrina Secreta ” Vol. 1, págs. 325-341.
Artigos relacionados: Akasha e os Registros akashicos [em inglês], O Significado e Natureza de Maya (ilusão) [em inglês], Doze Coisas que a Teosofia ensina, Os sete Planos [em inglês], Alaya, a Alma Universal [em inglês]
Isenção de responsabilidade
Tenha em mente que as explanações e exposições fornecidas pela redatora do site [www.blavatskytheosophy.com] não devem ser tomadas como uma autoridade infalível; elas meramente representam o melhor entendimento atual de uma estudante de Teosofia e podem estar sujeitas a alterações conforme mudam as compreensões e percepções da autora.