Nossos sete Pais divinos – Blavatskytheosophy
UM ESTUDO SOBRE MÔNADAS, RAIOS E PLANETAS
Algumas das informações mais profundas, mais significativas e mais esotéricas de todos os ensinamentos teosóficos podem ser encontradas entre as págs. 566-578 do primeiro volume de “A Doutrina Secreta” de H. P. Blavatsky. Esta é a seção ou capítulo intitulado “SOBRE OS ELEMENTOS E ÁTOMOS”.
Na pág. 569, HPB declara que: “Pode ser útil demonstrar o que, nos ensinamentos dos antigos Iniciados, era a mônada e qual a sua origem”.
Lendo estas palavras, o estudante começa então a se tornar mais alerta mental e intuitivamente, sabendo que as informações e explicações que se seguirão serão de grande importância, pois não somente será mostrado o que é a Mônada, mas também de onde ela vem ou como ela surge, de acordo com a antiga ciência dos Iniciados.
“A mônada– algo verdadeiramente “indivisível”, como definido por Good, que não lhe deu o sentido que nós damos agora – é aqui apresentada como Atma em conjunto com Buddhi e Manas Superior. Esta trindade é una e eterna, sendo a última absorvida nas primeiras ao término de toda vida condicionada e ilusória. A mônada, portanto, pode ser rastreada através do curso de sua peregrinação e de suas mudanças de veículos transitórios apenas a partir do estágio incipiente do Universo manifestado”. (Vol. 1, pág. 570)
Na terminologia teosófica, o termo “mônada” é passível de uma aplicação muito ampla, “sendo o termo mônada aquele que pode ser aplicado igualmente ao mais vasto Sistema Solar ou ao menor átomo” (Vol. 1, pág. 21). “As mônadas, ele [isto é, Leibnitz] pensava (assim como nós), estão em toda parte. Assim, a Alma humana é uma mônada, e cada célula do corpo humano tem sua mônada, assim como cada célula dos corpos animais, vegetais e até mesmo dos (assim chamados) corpos inorgânicos”. (Vol. 1, pág. 630)
No entanto, quando se fala especificamente da constituição humana, por ” a mônada” geralmente se entende Atma-Buddhi, a conjunção dos dois princípios mais elevados no homem. Mas é necessário que a Mônada se torne uma Tríade – Atma-Buddhi-Manas – a fim de poder expressar suas faculdades divinas e potencialidades latentes ou ter qualquer envolvimento ou interação direta nos planos de diferenciação.
“Sendo Atma (nosso sétimo princípio) idêntico ao Espírito Universal, e sendo o homem um com Ele em sua essência, o que é então a Mônada propriamente dita”? (Vol. 1, pág. 571)
Atma ou Atman é a parte mais elevada de todo ser. É a natureza essencial eterna de tudo. É puro Espírito eterno; nosso Self Superior; o Self Universal Uno de Tudo. Ele é indivisível, infragmentável, incondicionado, indiferenciado e infinito. É o Infinito. Embora Atma possa ser tecnicamente pensado à parte de Buddhi, não se pode falar ou pensar em Buddhi sem Atma, já que Atma é sua origem, sua fonte, sua vida, sua essência. Buddhi é visto como o veículo de e para a Luz de Atma.
Mas, entrando na metafísica mais profunda, específica e detalhada da Filosofia Esotérica, é feita a pergunta sobre o que é realmente a mônada, para a qual esta resposta é dada na pág. 571:
“É aquela centelha homogênea que se irradia em milhões de raios a partir dos “Sete” primordiais;” – dos quais sete avançam. É a centelha EMANADORA do Raio NÃO CRIADO – um mistério”.
Vemos que a Mônada é uma centelha, um raio, que irradia a partir dos “Sete” primordiais. Como logo será mostrado, esta referência aos Sete é muito importante, pois é central e crucial para a compreensão de muitas coisas.
HPB então explica que “No budismo esotérico, e até mesmo no budismo exotérico do Norte, Adi Buda (Chogi dangpoi sangye), o Uno desconhecido, sem começo ou fim, idêntico a Parabrahm e Ain-Soph, emite um raio brilhante de sua escuridão.
“Este é o Logos (o primeiro), ou Vajradhara, o Buda Supremo (também chamado Dorjechang). Como o Senhor de todos os Mistérios, ele não pode se manifestar, mas envia ao mundo da manifestação o seu coração – o “coração de diamante”, Vajrasattva (Dorjesempa). Esse é o segundo Logos da criação, do qual emana os Sete (no véu exotérico, os cinco) Budas Dhyani, chamados de Anupadaka, “os sem pais”. Esses Budas são as mônadas primordiais do mundo do ser incorpóreo, o mundo Arupa, no qual as Inteligências (somente naquele plano) não têm forma nem nome, no sistema exotérico, mas têm seus sete nomes distintos na filosofia esotérica”.
Talvez isso se torne mais claro se for apresentado no formato a seguir:
0 – ADI-BUDDHA – O Absoluto – A UNA Realidade Suprema – um sinônimo budista para o Parabrahm do hinduísmo, o Ain Soph da Cabala, etc.
1 – VAJRADHARA – O Primeiro Logos (Logos Não Manifestado) – a radiação primordial do Absoluto que permanece não manifestada, mas que emana …
2 – VAJRASATTVA – O Segundo Logos (Logos Semi-Manifestado) – o Logos Criativo, o “Coração de Diamante” de Vajradhara e do qual emana …
3 – OS SETE BUDAS DHYANI – O Terceiro Logos (coletivamente) – (Logos Manifestado) – algumas vezes denominado os Sete Logoi ou os Sete Raios.
Repetindo: “Estes [Sete Dhyani] Budas são as mônadas primordiais do mundo de ser incorpóreo, o mundo Arupa, …”
Na página seguinte, pág. 572, encontramos o seguinte esboço teogônico, uma elucidação sobre o acima exposto:
“A mônada divina, puramente Adi-Búddhica, manifesta-se como o Buddhi universal (o Maha-Buddhi ou Mahat nas filosofias hindus), a raiz espiritual, onisciente e onipotente da inteligência divina, a mais elevada anima mundi ou Logos. “Ele” desce “como uma chama que se espalha do Fogo eterno, imutável, sem aumentar ou diminuir, sempre o mesmo até o fim” do ciclo de existência e se torna a vida universal no Plano Mundano. Desse Plano de Vida consciente surgem, como sete línguas flamejantes, os Filhos da Luz (os Logoi da Vida); depois, os Budas Dhyani da contemplação: as formas concretas de seus Pais sem forma – os Sete Filhos da Luz, ainda eles mesmos, aos quais pode ser aplicada a frase mística bramânica: “Tu és AQUILO – Brahm“. É a partir desses Budas Dhyani que emanam seus chhayas (Sombras), os Bodhisattvas dos reinos celestiais, os protótipos dos Bodhisattvas supraterrestres, dos Budas terrestres e, por fim, dos homens”.
Para maior clareza e expansão de nossa compreensão dos vários termos utilizados, podemos apresentar o seguinte:
0 – ADI-BUDDHA – O Absoluto, o Divino Puro, o Fogo Eterno, que se manifesta como…
1 – VAJRADHARA – O Primeiro Logos (Logos Não Manifestado) – A Mais Elevada Anima Mundi – O Buddhi Universal – A Raiz da Inteligência Divina – uma Chama que se espalha do Fogo Eterno e que “desce” e se expressa como…
2 – VAJRASATTVA – O Segundo Logos (Logos Semi-Manifestado) – Vida Universal Consciente, do qual “são lançados como sete línguas de fogo” …
3 – OS SETE FILHOS DE LUZ que tomam forma como OS SETE BUDAS DHYANI – O Terceiro Logos (coletivamente) – (Logos Manifestado) – Os Sete Logoi da Vida.
É ensinado nestas páginas que esses “Sete Filhos” – aqui chamados de Sete Budas Dhyani – são os mesmos que os Sete “Filhos Nascidos da Mente” de Brahmā (os Manasaputras) do misticismo hindu, os Sete Arcanjos da tradição cristã, os Sete Deuses de várias religiões antigas e assim por diante.
Os ensinamentos teosóficos sempre enfatizam que a Doutrina Esotérica é uma só e pode ser encontrada subjacente a todas as religiões e tradições místicas do mundo, já que é a fonte primordial e arcaica, e o manancial de todas elas. Esta é a própria Teosofia, a Verdade atemporal, “a antiga e universal Religião-Sabedoria”. Quando se sabe o que procurar e como reconhecê-lo – e os escritos de H.P. Blavatsky nos proporcionam esse conhecimento – pode-se ver o mesmo Ensinamento em quase todos os lugares, embora oculto em graus variados, velado e muitas vezes obscurecido, sob camadas de interpolações teológicas e distorções sectárias.
A “Verdade”, como diz o famoso Rig Veda, “é uma só, embora os Sábios a chamem por muitos nomes”.
O hinduísmo também fala dos cinco Tanmatras, que “O Glossário Teosófico” (pág. 319) define como “Os tipos ou rudimentos dos cinco Elementos; a essência sutil destes, desprovida de todas as qualidades e idêntica às propriedades dos cinco Elementos básicos – terra, água, fogo, ar e éter; ou seja, os Tanmatras são, em um de seus aspectos, o olfato, o paladar, o tato, a visão e a audição”.
Aqui, na pág. 572 do primeiro volume de “A Doutrina Secreta”, HPB fornece uma visão do que realmente são os Tanmatras. Eles são o mesmo que os Sete Budas Dhyani, os Sete Raios:
“Os Tanmatras são literalmente o tipo ou rudimento de um elemento desprovido de qualidades; mas, esotericamente, eles são o noumenoi primordiais daquilo que se torna, no progresso da evolução, um elemento cósmico no sentido dado ao termo na antiguidade, não no da física. Eles são os Logoi, as sete emanações ou raios dos Logos … os cinco, ou melhor, os sete Budas Dhyani, [são] também chamados de “Elementos” da Humanidade … Ambos, como “Elementos” primordiais e inteligentes, tornam-se os criadores ou os emanadores das mônadas destinadas a se tornarem seres humanos naquele ciclo; depois disso, eles evoluem a si mesmos ou, por assim dizer, expandem-se em seus próprios selfs como Bodhisattvas ou Brahmanas, no céu e na Terra, para, por fim, se tornarem simples homens – “os criadores do mundo nascem aqui, na Terra, repetidamente” – de fato”.
Com essa concepção de “Elementos”, no sentido metafísico mais elevado, podemos entender por que este capítulo ou seção do livro recebeu o título de “SOBRE OS ELEMENTOS E ÁTOMOS, DO PONTO DE VISTA DA CIÊNCIA E DO OCULTIMO”.
Os Sete Elementos Universais Noumenais são os Sete Budas Dhyani ou, na linguagem das imagens simbólicas, os Sete Raios do Sol Espiritual Central. E esses Sete Logoi ou Sete Filhos da Luz são “os emanadores das mônadas destinadas a se tornarem humanas naquele ciclo”. Como vimos, os Sete são eles próprios “as mônadas primordiais do mundo do ser incorpóreo, o mundo Arupa” e as mônadas de nós, seres humanos, são centelhas “que irradiam em milhões de raios dos “Sete” primordiais”.
Assim, dificilmente podemos falar sobre a mônada sem falar também sobre os Sete. Por que eles são chamados de “Os Sete Filhos da Luz”?
Diz-se que: “Estes Seres são os “Filhos da Luz”, porque eles emanam de e são autogerados naquele Oceano infinito de Luz, cujo um polo é o Espírito puro perdido na absolutez do Não-Ser, e o outro, a matéria na qual ele se condensa, cristalizando-se em um tipo cada vez mais grosseiro à medida que desce à manifestação. Portanto, a matéria, embora seja, em um sentido, apenas os ilusórios resíduos daquela Luz cujos membros são as Forças Criativas, ainda assim tem em si a plena presença de sua Alma, daquele Princípio, que ninguém – nem mesmo os “Filhos da Luz”, evoluídos de sua ESCURIDÃO ABSOLUTA – jamais conhecerá”. (Vol. 1, pág. 481)
Continuando na parte inferior da página 572, aprendemos que “Os Sete Filhos da Luz” também são chamados de “Estrelas”.
” A estrela sob a qual uma Entidade humana nasce, diz o ensinamento ocultista, permanecerá para sempre sua estrela, durante todo o ciclo de suas encarnações em um Manvantara“. Mas essa não é sua estrela astrológica. Esta última está relacionada e conectada com a personalidade, a primeira com a INDIVIDUALIDADE. O “Anjo” dessa Estrela, ou Buda–Dhyani, será ou o “Anjo”- guia ou simplesmente o “Anjo” regente, por assim dizer, em cada novo renascimento da mônada, que é parte de sua própria essência, embora seu veículo, o homem, possa permanecer para sempre ignorante desse fato”.
Cada mônada humana “nasce” – ou melhor, inicia “o ciclo completo de suas encarnações em um Manvantara” – “sob” um dos Sete Filhos da Luz. Ela é literalmente parte da essência de um desses Sete Filhos ou Sete Budas Dhyani ou Sete Raios Primordiais ou, se alguém realmente preferir o termo, Sete Anjos.
Esse Um dos Sete em particular “permanecerá para sempre como sua estrela [isto é, a da Mônada], durante todo o ciclo”.
Cada um dos Adeptos, conforme indicado na pág. 573, conhece seu respectivo Buda Dhyani – “sua “Alma Gêmea” mais velha” – e o chamam de “Alma-Pai” e “Fogo-Pai”. No entanto, “é somente na última e suprema iniciação” que eles são “colocados face a face com a luminosa “Imagem”. Até que ponto O quanto Bulwer Lytton sabia soube desse deste fato místico ao descrever, em um de seus mais elevados estados de inspiração, Zanoni face a face com seus Augoeides”?
“O Logos, ou ambos a Palavra não manifestada e manifestada, é chamado pelos hindus de Ishwara, “o Senhor”, embora os ocultistas lhe deem outro nome. Ishwara, dizem os vedantinos, é a consciência mais elevada na Natureza. “Essa consciência mais elevada”, respondem os ocultistas, “é apenas uma unidade sintética no mundo do Logos manifestado – ou no plano da ilusão; pois é a somatória das consciências Dhyan-chohanicas” … Atma é não-Espírito em seu estado parabrâmico final, Ishwara ou Logos é Espírito; ou, como o ocultismo explica, é uma unidade composta de Espíritos vivos manifestados, a fonte-mãe e o berçário de todas as mônadas mundanas e terrestres, mais seu reflexo divino, que emanam do Logos e retornam a ele, cada um na conclusão de seu ciclo. do seu período. Há sete grupos principais de tais Dhyan Chohans, que serão encontrados e reconhecidos em todas as religiões, pois eles são os SETE Raios primordiais. O ocultismo nos ensina que a humanidade está dividida em sete grupos distintos e suas subdivisões: mental, espiritual e física”. (pág. 573)
Em outras palavras, o Logos Manifestado – o Logos ou Energia Universal Una em seu estado plenamente manifestado – é uma síntese, a somatória total e o agregado coletivo das sete principais Hierarquias de Dhyan Chohans ou Seres Celestiais.
As mônadas humanas em nossa Terra existem em sete grupos distintos, correspondentes a essas Sete Hierarquias ou Sete Raios ou Sete Budas Dhyani. Cada um dos sete grupos humanos também consiste em suas próprias subdivisões.
Isso faz sentido se nos lembrarmos do que foi dito há pouco:
Cada mônada humana “nasce” – ou melhor, inicia “o ciclo completo de suas encarnações em um Manvantara” – “sob” um dos Sete Filhos da Luz. Ela é literalmente parte da essência de um desses Sete Filhos ou Sete Budas Dhyani ou Sete Raios Primordiais ou, se alguém realmente preferir o termo, Sete Anjos. Esse Um dos Sete em particular “permanecerá para sempre como sua estrela [ou seja, da mônada], durante todo o ciclo”.
É aqui que reside a conexão com os Sete Planetas Sagrados, “sob cada um dos quais nasce um dos grupos humanos que são guiados e influenciados por eles”. (Vol. 1, pág. 573)
Deve-se entender que os Sete Filhos da Luz, os Budas Dhyani, surgem muito antes que os planetas de nosso próprio sistema solar em particular surgem. Eles transcendem em muito os planetas e os Espíritos Planetários, mas como toda manifestação está fundamentalmente conectada como uma unidade e como tudo segue o plano e padrão sétuplo, suas influências e energias chegam a este nosso pequeno planeta através dos Sete Planetas Sagrados, com os quais eles estão vitalmente conectados.
Como todos sabemos, há mais de sete planetas, mas é ensinado que há apenas sete que têm uma relação muito especial e direta com o nosso. São eles:
* Mercúrio
* Vênus
* Júpiter
* Saturno
* Marte
* “Sol
* “Lua”
Tradicionalmente, as pessoas acrescentam o Sol e a Lua para compor sete, mas a Teosofia sustenta que esses dois são apenas substitutos exotéricos de dois planetas misteriosos, os quais os Iniciados e Adeptos não permitiam que fossem publicamente mencionados e identificados nos tempos antigos.
O Sol não é um planeta, mas sim a Estrela central de nosso sistema solar. A Lua é um planeta morto, um remanescente em decomposição que foi a encarnação anterior do nosso planeta.
A Lua foi o substituto exotérico do que é descrito em “Transactions of the Blavatsky Lodge” (pág. 48) como “um planeta com movimento retrógrado, às vezes visível em uma determinada hora da noite e aparentemente próximo à Lua”. A influência oculta desse planeta é transmitida pela Lua”.
O Sol foi o substituto de um planeta transmercurial. Em “The Secret Doctrine Dialogues” (publicado pela primeira vez apenas em 2014), encontramos HPB dizendo a seus alunos (págs. 319, 398) que é “o planeta entre Mercúrio e o Sol” e “é um dos planetas mais sagrados”. Ele está mais próximo do Sol do que Mercúrio e, nos tempos vitorianos, foi reconhecido por um tempo com o nome de Vulcano.
Pode-se dizer que cada um desses sete planetas serve como uma forma de foco através do qual as energias desses Sete Raios chegam até nós e ao nosso planeta Terra.
Em “A Doutrina Secreta” Vol. 1, pág. 575, ela diz que nem Urano nem Netuno eram os “planetas misteriosos” e acrescenta que eles são os “deuses e guardiões” de outros planetas, mas não da Terra. Mas nas págs. 99-100 do mesmo volume, ela indicou fortemente que Urano é o “substituto do Sol”. Em “Transactions of The Blavatsky Lodge”, ela fala de Vulcano, como mencionado acima, como o “substituto do Sol”. Em “The Secret Doctrine Dialogues”, págs. 96-97, ela dá a entender que Urano é o “substituto da Lua”. Portanto, qualquer que seja o caso, é claramente de natureza tão sagrada e esotérica que HPB não teve permissão para explicitá-lo de forma definitiva e categórica.
HPB comenta em uma nota de rodapé em “The Secret Doctrine” Vol. 1, pág. 573:
“Há apenas sete planetas (especialmente ligados à Terra) e doze casas, mas as combinações possíveis de seus aspectos são incontáveis. Como cada planeta pode se diferenciam cada um dos outros em doze aspectos diferentes, suas combinações devem, portanto, ser quase infinitas; tão infinitas, de fato, quanto as capacidades espirituais, psíquicas, mentais e físicas nas inúmeras variedades do genus homo, cada uma das quais nasceu sob um dos sete planetas e uma das incontáveis combinações planetárias citadas”.
Prosseguindo com o assunto da existência de sete “Grupos de Raio” distintos de Mônadas humanas, na pág. 574 HPB cita o teosofista indiano Brâmane T. Subba Row, na edição de agosto de 1886 da revista “The Theosophist” dizendo:
“Todo Buda encontra em sua última iniciação todos os grandes Adeptos que alcançaram o estado de Buda durante as eras anteriores … cada classe de Adeptos tem seu próprio vínculo de comunhão espiritual que os une … A única maneira possível e eficaz de entrar em tal irmandade … é colocar-se sob a influência da Luz Espiritual que irradia de seu próprio Logos. Posso ainda ressaltar aqui … que tal comunhão só é possível entre pessoas cujas Almas originam sua vida e sustento do mesmo Raio divino e que, como sete raios distintos irradiam do ‘Sol Espiritual Central’, todos os Adeptos e Dhyan Chohans são divisíveis em sete classes, cada uma das quais é guiada, controlada e gerida por uma das sete formas ou manifestações da Sabedoria divina”.
“O próprio Logos de alguém” significa aquele Logos específico dos Sete Budas Dhyani ou Sete Raios dos quais alguém é um “raio” e um “reflexo” na Terra.
As Almas “derivam sua vida e sustentação” de um dos Raios Divinos ou Mônadas Primordiais ou Sete Elementos Primordiais, “as sete formas ou manifestações da Sabedoria divina”. Como todos os seres humanos “são divisíveis em sete classes” correspondentes a esses elementos, o mesmo acontece com “todos os Adeptos e Dhyan Chohans“, pois eles também são seres humanos ou foram seres humanos. O artigo “Os sete grupos humanos primordiais”[em inglês] pode ajudar a esclarecer um pouco mais esses pontos.
“As “tríades” nascidas sob o mesmo planeta-pai, ou melhor, as radiações de um mesmo Espírito Planetário (Buda Dhyani) são, em todas as suas vidas posteriores e renascimentos, irmãs ou “Almas gêmeas“, nesta Terra”, diz HPB na pág. 574, não significando “Almas gêmeas” no sentido popular do termo como usado no Movimento da Nova Era, no qual o assunto é completamente degradado em relacionamentos físicos e românticos. Ela prossegue:
Isso era conhecido por todo Alto Iniciado em todas as épocas e em todos os países: “Eu e meu Pai somos um”, disse Jesus (João, x. 30). Quando Ele é levado a dizer, em outro lugar (xx. 17): “Eu ascendo a meu Pai e a vosso Pai”, significava o que acaba de ser dito. Foi simplesmente para mostrar que o grupo de seus discípulos e seguidores atraídos por Ele pertencia ao mesmo Buda Dhyani, “Estrela” ou “Pai”, novamente do mesmo reino e divisão planetária que Ele”.
“A identidade e, ao mesmo tempo, a diferenciação ilusória entre a Mônada– Angelical e a Mônada–humana é demonstrada nas seguintes frases: “Meu Pai é maior do que eu” (João xiv. 26); “Glorificai a vosso Pai que está nos céus” (Matt. v. 16); “Os justos brilharão no reino de seu Pai” (não de nosso Pai) (Matt. xiii. 43) “Não sabeis vós que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? (1 Cor. iii. 16); “Eu ascendo ao meu Pai”, etc., etc.”.
Agora, a instrução para o aspirante em “A Voz do Silêncio” (pág. 34), traduzida por HPB do “Livro dos Preceitos de Ouro”, torna-se muito mais clara e potente em seu significado:
“Fixa o olhar de tua Alma na estrela cujo raio tu és, a estrela flamejante que brilha nas profundezas sem luz do “ser eternamente”, os campos ilimitados do Desconhecido”.
Quando o capítulo começa a se aproximar do fim, lemos que “São então os “Sete Filhos da Luz” – chamados segundo seus planetas e (pela multidão) frequentemente identificados com eles – a saber, Saturno, Júpiter, Mercúrio, Marte, Vênus e – presumivelmente para o crítico moderno, que não vai muito além da superfície das antigas religiões – o Sol e a Lua, que são, de acordo com os ensinamentos ocultos, nossos Pais celestiais, ou “Pai”, sinteticamente. … os orbes visíveis que fornecem à nossa humanidade suas características externas e internas, e seus “Regentes” ou Reitores com nossas Mônadas e faculdades espirituais”. (pág. 575)
Como foi dito anteriormente, os Sete Filhos da Luz não são os mesmos que os Sete Planetas Sagrados, nem vivem ou habitam neles, mas os precedem e transcendem, mantendo uma conexão essencial sagrada e uma relação ativa com eles – e através deles.
E ELES nos fornecem “nossas Mônadas e faculdades espirituais”.
“Todo estudante de ocultismo sabe que os corpos celestes estão intimamente relacionados, durante cada Manvantara, com a humanidade daquele ciclo específico;” diz HPB em seu artigo publicado postumamente, “Astrologia e Astrolatria“, “e há alguns que acreditam que cada grande personagem nascido durante esse período tem – como qualquer outro mortal tem, só que em um grau muito mais forte – seu destino delineado dentro de sua própria constelação ou estrela, traçado como uma autoproclamação, uma autobiografia antecipada, pelo Espírito residente daquela estrela em particular. A mônada humana, em seu primeiro início, é esse Espírito, ou a Alma dessa própria estrela (Planeta). Assim como nosso Sol irradia sua luz e seus raios para todos os corpos no espaço dentro dos limites de seu sistema, o Regente de cada estrela-Planeta, a Mônada-Pai, lança de si mesmo a mônada de cada Alma “peregrina” nascida sob sua casa dentro de seu próprio grupo. Os Regentes são esotericamente sete, seja nas Sefirotes, os “Anjos da Presença”, os Rishis, ou os Amshaspends“. (negrito acrescentado)
No capítulo ou seção sobre “Evolução Cíclica e Carma” no Vol. 1 de “A Doutrina Secreta“, HPB usa, entre as págs. 638-639, expressões tais como:
* “O Protótipo de alguém, “no Céu,”
* “seu PROTÓTIPO Celestial”
* “o protótipo invisível fora de nós”
* “sua própria deidade pessoal“
* “aquele “Self divino”.
E na pág. 265 encontramos o termo “O Observador, ou o protótipo divino”:
“Esta frase”: “O fio entre o Observador silencioso e sua sombra (o homem) torna-se mais forte” – a cada reencarnação – é outro mistério psicológico, que encontrará sua explicação no Livro II. Por enquanto, bastará dizer que o “Observador” e suas “Sombras” – estas últimas em número tão grande quanto o número de reencarnações da Mônada – são uma só coisa. O Observador, ou o protótipo divino, está no degrau superior da escada do ser; a sombra, no degrau inferior. Além disso, a Mônada de todo ser vivo, a menos que sua torpeza moral rompa a conexão e se solte e “se desvie para o caminho lunar” – para usar a expressão ocultista – é um Dhyan Chohan individual, distinto dos outros, um tipo de individualidade espiritual própria, durante um Manvantara específico. Seu elemento Primordial, Primário, o Espírito (Atman), é uno, naturalmente, com Paramatma (o Espírito Universal Uno), mas o veículo (Vahan) no qual ele está inserido, Buddhi, é parte integrante dessa Essência Dhyan-Chohanica; e é nisto que reside o mistério dessa ubiquidade, que foi discutida algumas páginas atrás. “Meu Pai, que está no Céu, e eu – somos um”, diz a Escritura cristã; nisso, de qualquer forma, é o eco fiel do princípio esotérico”.
Aqui HPB estava comentando a Sétima estrofe sobre a Evolução Cósmica do Livro Secreto de Dzyan. Essa estrofe recebeu o título “OS PAIS DO HOMEM NA TERRA” e contém o seguinte em seus slokas ou versos do quarto ao sétimo (Vol. 1, pág. 34):
- É A RAIZ QUE NUNCA MORRE; A CHAMA DE TRÊS LÍNGUAS DOS QUATRO PAVIOS. OS PAVIOS SÃO AS CENTELHAS QUE EXTRAEM DA CHAMA DE TRÊS LÍNGUAS PROJETADO PELOS SETE – A CHAMA DELES – OS RAIOS DE LUZ E AS CENTELHAS DE UMA LUA REFLETIDOS NAS ONDAS CORRENTES DE TODOS OS RIOS DA TERRA…
- A CENTELHA PENDE DA CHAMA PELO FIO MAIS FINO DE FOHAT. ELA VIAJA ATRAVÉS DOS SETE MUNDOS DE MAYA. ELA PARA NO PRIMEIRO, E É UM METAL E UMA PEDRA; ELA PASSA PELO SEGUNDO E EIS QUE É – UMA PLANTA; A PLANTA GIRA POR SETE MUDANÇAS E SE TORNA UM ANIMAL SAGRADO. A PARTIR DA COMBINAÇÃO DESSES ATRIBUTOS, MANU, O PENSADOR, É FORMADO. QUEM O FORMA? AS SETE VIDAS, E A VIDA UNA. QUEM O COMPLETA? O LHA QUÍNTUPLO. E QUEM APERFEIÇOA O ÚLTIMO CORPO? O PEIXE, O PECADO E SOMA …
- DESDE O PRIMOGÊNITO, O FIO ENTRE O OBSERVADOR SILENCIOSO E SUA SOMBRA TORNA-SE MAIS FORTE E RADIANTE A CADA MUDANÇA. A LUZ DO SOL DA MANHÃ SE TRANSFORMOU NA GLÓRIA DO MEIO-DIA …
- ESTA É A SUA RONDA ATUAL, DISSE A CHAMA À CENTELHA. TU ÉS EU MESMA, MINHA IMAGEM E MINHA SOMBRA. EU ME VESTI EM TI, E TU ÉS MEU VAHAN ATÉ O DIA “ESTEJA CONOSCO”, QUANDO VOLTARÁS A SER EU MESMA E OUTROS, TU MESMO E EU. ENTÃO OS CONSTRUTORES, TENDO VESTIDO SUAS PRIMEIRAS VESTIMENTAS, DESCEM SOBRE A TERRA RADIANTE E REINAM SOBRE OS HOMENS – QUE SÃO ELES PRÓPRIOS …
Assim como há sete grupos humanos distintos, também há sete grupos nacionais distintos e sete regiões ou zonas da Terra (ver Vol. 2, pág. 29). “Cada povo e nação … tem seu Observador, Guardião e Pai Celestial direto” (Vol. 1, pág. 576) e cada nação nasceu ou surgiu sob a influência e a energia de um ou outro dos Sete.
“As nações nascidas sob Saturno – os judeus, por exemplo – com os quais Ele havia se tornado Jeová, depois de ter sido considerado filho de Saturno, ou Ilda-Baoth, pelos ofitas e no livro de Jasher – estavam lutando eternamente com aqueles nascidos sob Júpiter, Mercúrio ou qualquer outro planeta, exceto Saturno-Jeová; a despeito das genealogias e profecias, Jesus o iniciado (ou Jehoshua) – o modelo do qual o Jesus “histórico” foi copiado – não era de puro sangue judeu e, por isso, não reconhecia Jeová; tampouco adorava qualquer deus planetário além de seu próprio “Pai”, a quem ele conhecia e com quem estava em comunhão, assim como todo elevado iniciado faz, “de Espírito para Espírito e de Alma para Alma”. Isto dificilmente pode ser contestado a menos que o crítico explique satisfatoriamente a todos as estranhas frases colocadas na boca de Jesus pelo autor do Quarto Evangelho (capítulo viii.) durante suas disputas com os fariseus.
“Sei que sois descendência de Abraão…”. Eu falo as coisas que vi com meu Pai; e vós fazeis as coisas que ouvistes de vosso Pai”… Vós fazeis as obras de vosso Pai …Vós sois de vosso Pai, o Diabo … Ele foi um assassino desde o princípio, e não permaneceu na verdade, porque não há verdade nele. Quando alguém profere uma mentira, fala do que lhe é próprio; porque seu pai também é um mentiroso, e o pai dele”, etc., etc.
“Aquele “Pai” dos fariseus era Jeová, porque idêntico a Caim, Saturno, Vulcano etc., – o planeta sob o qual eles nasceram e o Deus a quem adoravam. Evidentemente, deve haver um significado oculto nessas palavras e admoestações, por mais mal traduzidas que sejam, já que foram pronunciadas por alguém que ameaçou com fogo do inferno qualquer um que dissesse simplesmente raca (tolo) a seu irmão (Mateus v, 22). E, evidentemente, mais uma vez, os planetas não são meras esferas, cintilando no Espaço e feitos para brilhar sem nenhum propósito, mas os domínios de vários seres com os quais os profanos até agora não estão familiarizados; no entanto, têm uma conexão misteriosa, ininterrupta e poderosa com os homens e os globos. Todo corpo celeste é o templo de um deus, e esses próprios deuses são os templos de DEUS, o Desconhecido “Não-Espírito”. Não há nada profano no Universo”. (Vol. 1, págs. 577-578)
Podemos naturalmente nos sentir inclinados a perguntar: “A qual dos Sete Dhyanis minha Mônada pertence? Sob qual dos Sete meu país ou minha Raça nasceu? Qual é o “Pai Celestial” da minha nação?”
Descobriremos as respostas quando precisarmos e quando estivermos prontos para isso. A mera curiosidade e o afã intelectual ou emocional não equivale a necessidade ou prontidão. Quando muito, isso mostra que estamos longe de estar prontos e que temos muito que crescer.
É inútil, ou pior do que inútil, consultar videntes sobre o assunto ou tentar encontrar as respostas em livros escritos por autoproclamados “Sucessores” de H. P. Blavatsky, alguns dos quais escreveram extensivamente sobre temas como os Sete Raios, mas substituíram a filosofia e os ensinamentos fundamentais de HPB e dos Mestres por um sistema distorcido e cristianizado que deve suas origens às supostas “descobertas clarividentes” de C. W. Leadbeater.
Pessoalmente, somos bastante céticos acerca do conceito de que o Primeiro Raio seja Vontade/Poder, o Segundo seja Amor/ Sabedoria, o Terceiro seja Inteligência Ativa ou Atividade Inteligente, e assim por diante. Essas classificações dos Sete Raios são invenções de Leadbeater e, mais tarde, popularizadas de forma mais completa pelos escritos de Alice Bailey. Não há base para eles nos ensinamentos originais e autênticos da Teosofia; além disso, Leadbeater não era uma pessoa em quem se pudesse confiar [em inglês] em relação a qualquer coisa.
HPB repetia com frequência que ela divulgou integralmente tudo o que os Mestres permitiram que fosse divulgado de “A Doutrina Secreta Arcaica” até o período de 1975-2000 e que “serão necessários séculos antes que muito mais seja divulgado”. (Vol. 1, Introdutório, pág. xxxviii). Mesmo que se acredite, como fazem alguns estudantes sérios de HPB, que Raghavan Iyer foi o novo Professor da Fraternidade dos Mestres para o ciclo centenário (o ciclo de 1975 [em inglês]) do século 20, pode-se notar que nem mesmo ele aprofundou de fato esse assunto dos Sete Raios. Vimos que em “A Doutrina Secreta” HPB citou favoravelmente algumas das explanações de T. Subba Row sobre os Sete Raios e, portanto, pode-se, perguntar se os comentários subsequentes de Subba Row sobre o assunto no que é conhecido como seus “escritos esotéricos” ou “ensinamentos esotéricos” são genuínos. É difícil saber exatamente o quão confiáveis ou preciso eles são, razão pela qual não foram incorporados em este artigo, mas certamente recomendamos um estudo reflexivo deles a qualquer pessoa que tenha essa inclinação.
Nossa principal tarefa, se formos alunos sinceros e dedicados de H.P. Blavatsky e de seus Professores Adeptos, é estudar o que ela ensinou, absorvê-lo, assimilá-lo, compreendê-lo, explicá-lo e torná-lo tão acessível quanto possível a outros, teosofistas e não-teosofistas, em uma escala cada vez maior. Se somos preguiçosos ou egoístas demais para fazer isso, como podemos esperar mais, quando já nos foi dado tanto e fizemos tão pouco com ele?
Embora não forneça nenhum nome em inglês ou classificação descritiva para os Sete Raios, HPB, no entanto, revela seus nomes em sânscrito na pág. 515 do Vol. 1 de “A Doutrina Secreta“, dizendo: “Os nomes dos Sete Raios – que são: Sushumna, Harikesa, Viswakarman, Vishwatryarchas, Sannaddha, Sarvavasu e Swaraj – são todos místicos, e cada um tem sua aplicação distinta em um estado distinto de consciência, para fins ocultos … O conjunto dos Sete Raios se espalha pelo sistema Solar …”
Foi dito anteriormente que, em determinadas ocasiões, os próprios Sete aparecem na Terra. As passagens seguintes, extraídas de “A Doutrina Secreta” Vol. 1, pág. 638 e Vol. 2, págs. 358-359, lançarão mais luz sobre isso:
“No antigo Simbolismo, era sempre o SOL (embora se tratasse do Sol Espiritual, e não do visível) que supostamente deveria enviar os principais Salvadores e Avatares. Daí o elo entre os Budas, os Avatares, e tantas outras encarnações dos SETE mais elevados”.
“Quando os mortais tiverem se tornado suficientemente espiritualizados, não haverá mais necessidade de forçá-los a uma compreensão correta da Sabedoria antiga”. Os homens saberão, então, que nunca houve um grande reformador do mundo, cujo nome tenha passado para a nossa geração, que (a) não fosse uma emanação direta do LOGOS (sob qualquer nome que conheçamos), ou seja, uma encarnação essencial de um dos “sete”, do “Espírito divino que é sétuplo”; e (b) que não tivesse aparecido antes, durante os Ciclos passados. Eles reconhecerão, então, a causa que produz na história e na cronologia certos enigmas das Eras; a razão pela qual, por exemplo, é impossível para eles atribuir qualquer data confiável a Zoroastro, que é encontrado multiplicado por doze e quatorze no Dabistão; a razão pela qual os Rishis e Manus estão tão misturados em seus números e individualidades; a razão pela qual Krishna e Buda falam de si mesmos como reencarnações, ou seja, Krishna é identificado com o Rishi Narayana, e Gautama fornece uma série de seus nascimentos anteriores; e porque o primeiro, especialmente, sendo “o supremo Brahmā,” ainda é chamado de Amsamsavatara – “uma parte de uma parte” apenas do Supremo na Terra. Por fim, porque Osíris é um grande Deus e, ao mesmo tempo, um “príncipe na Terra”, que reaparece em Thoth-Hermes, e porque Jesus (em hebraico, Joshua) de Nazaré é reconhecido, cabalisticamente, como Joshua, o Filho de Nun, assim como em outros personagens. A doutrina esotérica explica isso dizendo que cada um deles ( assim como muitos outros) apareceu pela primeira vez na Terra como um dos sete poderes do LOGOS, individualizado como um Deus ou “Anjo” (mensageiro); depois, misturados com a matéria, reapareceram sucessivamente como grandes sábios e instrutores que “ensinaram a Quinta Raça”, após terem instruído as duas Raças anteriores, governaram durante as Dinastias Divinas e, por fim, se sacrificaram, para renascer sob várias circunstâncias para o bem da humanidade e para sua salvação em certos períodos críticos; até que, em suas últimas encarnações, eles se tornaram verdadeiramente apenas “as partes de uma parte” na Terra, embora de facto fossem o Uno Supremo na Natureza.
“Essa é a metafísica da Teogonia. E, como cada “Poder” entre os SETE tem (uma vez individualizado) a seu cargo um dos elementos da criação e o governa, daí os muitos significados em cada símbolo, que, a menos que sejam interpretados de acordo com os métodos esotéricos, geralmente levam a uma confusão inextricável”.
Vamos tentar lembrar alguns destes termos, pelas grandes verdades que eles transmitem: “encarnações dos SETE mais elevados” … “o Espírito divino que é sétuplo” … “os sete poderes do LOGOS”.
Os zoroastristas são mencionados aqui, assim como o Manus, Osíris, Hermes, Krishna, Gautama Buda e Jesus, e afirma-se que “cada um deles (assim como muitos outros) apareceu primeiro na Terra como um dos sete poderes do LOGOS, individualizado como um Deus ou “Anjo” (mensageiro); depois, misturados com a matéria, reapareceram sucessivamente como grandes sábios e instrutores que “ensinaram a Quinta Raça”, após terem instruído as duas Raças anteriores, governaram durante as Dinastias Divinas e, por fim, se sacrificaram, para renascer sob várias circunstâncias para o bem da humanidade e para sua salvação em certos períodos críticos. ”
Há muito o que absorver aqui. O pensamento cuidadoso, a contemplação e a reflexão meditativa sobre esses ensinamentos são essenciais para que se possa realmente obter algo deles, além de uma aquisição puramente intelectual de informações. Esperamos que nossos leitores consultem e estudem essas várias passagens e referências em “A Doutrina Secreta” para si mesmos e também retornem de tempos em tempos a este artigo, para reler e contemplar essas coisas.
“Os véus que ocultam os verdadeiros mistérios da filosofia esotérica são consideráveis e intrigantes, e mesmo agora a última palavra não pode ser dada”. O véu, entretanto, pode ser um pouco mais levantado e algumas explicações até então negadas, podem agora ser oferecidas ao estudante sério …
“Se todos aqueles Manus e Rishis [isto é, no hinduísmo] são chamados por um só nome genérico [isto é, muitos recebem o nome de Vaivasvata nas escrituras hindus], isso se deve ao fato de que eles são todos e cada um as Energias manifestadas de um mesmo LOGOS, os mensageiros terrestres assim como celestiais e as permutações daquele Princípio que está sempre em estado de atividade; conscientes durante o período de evolução cósmica, inconscientes (do nosso ponto de vista) durante o repouso cósmico, pois o LOGOS dorme no seio DAQUILO que “não dorme”, nem nunca está acordado – pois é SAT ou Seidade, não é um Ser. É DAQUILO que emana o grande Logos invisível, que evoluciona todos os outros Logoi, o MANU primordial que dá existência aos outros Manus, que emanam o Universo e tudo o que nele existe coletivamente, e que representam em seu conjunto o Logos manifestado …
“Manu declara-se criado por Viraj, ou Vaiswanara (o Espírito da Humanidade), o que significa que sua mônada emana do “Princípio que nunca descansa” no início de cada nova atividade cósmica: aquele Logos ou MÔNADA UNIVERSAL (Elohim coletivo) que irradia de dentro de si todas aquelas Mônadas Cósmicas que se tornam os centros de atividade – progenitores dos inúmeros sistemas solares, bem como das mônadas humanas ainda indiferenciadas das cadeias planetárias e de todos os seres nelas existentes. Cada Mônada Cósmica é “Swayambhuva“, o AUTO-NASCIDO, que se torna o Centro de Força, de dentro do qual emerge uma cadeia planetária (das quais existem sete cadeias em nosso sistema), e cujas radiações se tornam novamente tantas Manus Swayambhuva (um nome genérico, misterioso e que significa muito mais do que parece), cada uma delas se tornando, como uma hoste, a Criadora de sua própria Humanidade”. (Vol. 2, págs. 310-311)
“A Doutrina Secreta” afirma claramente que a evolução é um processo de dentro para fora.
Cada mônada menor – e lembremo-nos que tudo é uma mônada, ou seja, uma unidade de vida e de energia – é irradiada por e, portanto, emerge de dentro, uma mônada maior, seu núcleo e Princípio que se sobrepõe, da qual é verdadeiramente uma parte da essência. Essas mônadas maiores são, por sua vez, irradiadas por, e emergem de dentro, de mônadas ainda maiores.
Em última análise, toda a manifestação se origina da Mônada Universal, que não é outra coisa senão o Primeiro Logos, o Logos Não Manifestado, a Primeira Causa que emerge da Causa Sem Causa (o Princípio Divino Absoluto) quando o Universo surge. Essa Mônada Universal é o Ponto dentro do Círculo no simbolismo esotérico, cujo Ponto é o mesmo que a Monas Pitagórica, o primeiro e mais alto ponto do Triângulo Pitagórico conhecido como Tetractys. HPB chama esse ponto ou centro de “o LOGOS real e esotérico” (Vol. 1, pág. 614) e, na passagem que acabamos de citar, “o MANU primordial”. Nunca o antropomorfizemos.
Algumas pessoas falam de forma muito leviana sobre “o Sol Espiritual Central”. Este, sobre o qual estamos falando agora, é o Sol Espiritual Central, a única Luz e Vida do Universo, que tudo anima.
HPB diz em “A Doutrina Secreta” Vol. 1, pág. 614, na seção sobre “Deuses, Mônadas e Átomos”:
“Aqueles que não são capazes de apreender a diferença entre a Mônada – a Unidade Universal – e as Mônadas ou a Unidade manifestada, assim como entre LOGOS sempre oculto e o revelado ou a Palavra, nunca devem se envolver com filosofia, muito menos com as Ciências Esotéricas”.
Espera-se que a diferença possa agora ser mais facilmente apreendida.
O que é, então, a Mônada Humana? É um Raio, é uma Centelha, uma individualização da Mônada Universal ou proveniente dela. Mas ela não chega aqui diretamente, dando um salto gigantesco do Primeiro Logos até os ciclos de encarnação humana no planeta Terra.
Existem Sete Mônadas Primordiais, os Sete Filhos da Luz, e cada Mônada Humana é uma centelha, uma radiação, da essência de um desses Sete Raios. Qualquer um dos Sete que seja para nós, é o nosso Protótipo divino, celestial, nossa Estrela, nosso Pai, nosso Pai Monádico, nosso Buda Dhyani, nosso próprio Logos. Estamos ligados a ele através de qualquer um dos Sete Planetas Sagrados que lhe corresponda especificamente.
Assim como os Adeptos e Mahatmas, podemos pensar nele como “Alma-Pai” e “Fogo-Pai”, mas é somente em algum grau elevado de iniciação – antes de alcançar o qual muitas provações e tribulações terríveis e assustadoras devem ser passadas com sucesso – que nos encontraremos face a face com a brilhante “Imagem” e então, somente então, SABEREMOS que “Eu e meu Pai somos Um e o Mesmo”.
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